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Correio da Manhã

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Alerta máximo na NASA

A América enfrentou ontem um dia de autêntico pânico, no rescaldo do massacre na Universidade Técnica da Virginia, que causou a morte a 33 pessoas, e por ocasião da passagem do oitavo aniversário da matança de Columbine.
21 de Abril de 2007 às 00:00
Um indivíduo armado lançou ontem o caos no centro espacial da NASA, em Houston, no Texas. O complexo foi evacuado e cercado pela polícia
Um indivíduo armado lançou ontem o caos no centro espacial da NASA, em Houston, no Texas. O complexo foi evacuado e cercado pela polícia FOTO: d.r.
Um pouco por todo o país, sucederam-se os alertas de segurança que obrigaram à evacuação de escolas nos estados do Colorado e Califórnia, do Capitólio estadual do Arizona. Mas o incidente mais grave registou-se no complexo da NASA em Houston, no Texas, onde um homem armado acabou por matar um refém na sequência de um tiroteio registado num dos edifícios daquele centro aeroespacial.
O indivíduo, de 60 anos, que acabou por ser identificado por canais de televisão locais como sendo funcionário de uma empresa de Pasadena (Califórnia) que realizava trabalhos para a NASA, efectuou vários disparos e barricou-se com dois reféns numa sala do segundo piso do edifício 44, do Johnson Space Center (sede da missão de controlo e do centro de treino para os astronautas da NASA), onde está localizado o departamento de engenharia.
As forças de segurança evacuaram rapidamente todo o complexo, mantendo toda a zona sob rigoroso cerco. Face ao incidente, várias escolas na região foram colocadas também em alerta máximo. Depois de mais de quatro horas cercado pela Polícia, o agressor matou um dos reféns, um homem, após o que acabou por suicidar-se com um tiro na cabeça. O outro refém, uma mulher, conseguiu escapar ilesa.
POLÍCIA INVESTIGA
Mas o dia de ontem ficou marcado por outros incidentes, nomeadamente em Phoenix, capital do Arizona, onde o Capitólio foi evacuado durante horas, após ter sido recebida uma ameaça de bomba. Os funcionários só regressaram ao edifício depois de a polícia ter revistado as instalações e não ter encontrado nada suspeito.
Um outro incidente grave ocorreu em Parker (Colorado) no exterior da Escola Secundária Ponderosa, (não muito longe do Liceu de Columbine), onde explodiu uma bomba artesanal. Logo após a explosão, que não causou feridos, a polícia local afirmou estar a proceder a aturada investigação mas adiantou desde logo ter sido detido um indivíduo que transportava um outro engenho explosivo.
Em Santa Clara, a sul de São Francisco, um colégio foi evacuado depois de ter sido encontrada uma nota com uma ameaça de bomba numa das casas de banho daquele estabelecimento de ensino.
Na Califórnia do Norte, um homem ameaçou avançar para uma matança semelhante à de Virginia, mas acabou por entregar-se à polícia. Horas antes deste incidente, várias escolas a norte da capital, Sacramento, já tinham sido encerradas.
Em Boston, no estado de Massachusetts, um trabalhador-estudante foi detido e presente a tribunal por ter enviado um e-mail à ex-namorada, ameaçando matá-la e provocar um massacre idêntico ao que fez o sul-coreano Cho Seung-Hui na Universidade Técnica da Virginia.
"CHO MERECEU MORRER"
A família do sul-coreano Cho Seung-Hui, autor da matança na Universidade Técnica de Virginia, está tão revoltada quanto os familiares das vítimas. Em Seul, o avô do homicida, ouvido pelo ‘Daily Mirror’, mostrou-se chocadíssimo com os macabros actos do neto e comentou indignado: “Filho da p... Mereceu morrer.”
Kim Hyang-Sik, de 82 anos, contou àquele jornal britânico que na noite antes do massacre tivera um pesadelo horrível com os pais de Cho Seung-Hui. Quando acordou ouviu as terríveis notícias. A irmã, Kim Yang-Sun, de 85 anos, adianta que Hyang-Sik viu os vídeos e ficou tão perturbado que se ausentou por uns dias para se acalmar. Quando falou com o ‘Daily Mirror’, fez questão de se solidarizar com a dor dos familiares das vítimas do neto.
Yang-Sun, a tia-avó, também não poupa insultos ao neto. E após proferir uma série de impropérios contra ele, recordou que a mãe, Kim Hyang-Yim, tivera problemas com ele desde a infância. Cho Seung-Hui não recebeu qualquer tratamento para o seu problema. Segundo um tio, Chan Kim, os pais trabalhavam muito e não tinham tempo para se dedicarem mais a ele nem dinheiro para procurar ajuda especializada. O pai de Seung-Hui não era uma pessoa muito sociável, contou ainda a tia-avó. “A mãe casara-se com ele obrigada porque já tinha passado da idade. O pai decidiu ir para os EUA porque tinha problemas financeiros e a mãe vivia lá.”
Ontem, as vítimas começaram a ser enterradas. O governador da Virginia, Tim Kaine, declarou o dia de luto e pediu um minuto de silêncio pelas vítimas ao meio-dia (hora local).
ESCAPOU A DUAS MATANÇAS
Fez ontem oito anos que a Escola Secundária de Columbine, no estado norte-americano do Colorado, ficou tristemente conhecida em todo o Mundo. Dois estudantes, Eric Harris e Dylan Klebold, dispararam indiscriminadamente e mataram 12 colegas e um professor.
Regina Rohde parece fadada a frequentar escolas violentas. Era aluna do Columbine quando ocorreu o massacre e escapou. Agora frequenta a Universidade Técnica de Virginia e a sorte voltou a estar do seu lado. Mas o facto de já ter passado por uma experiência semelhante antes não a deixou mais calma. Está assustada como da primeira vez.
“Levamos tempo a voltar ao nosso dia-a-dia sem estar sempre a olhar em redor. Nunca mais nos sentimos seguros na escola”, afirmou à cadeia de Tv americana NBC. Tal como aconteceu após o massacre de Columbine também agora se tenta encontrar uma razão para esta violência. Seung-Hui sentia-se perseguido “como Jesus Cristo”. Era um aluno estranho e, por isso, alvo de chacota, o que, por si só, não justifica os seus actos. Tinha problemas mentais. Se tivesse sido tratado ter-se-ia evitado a matança?
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