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Correio da Manhã

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Aliados de Dilma tentam impedir novo pedido de destituição

Assinado pela Ordem dos Advogados do Brasil.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 29 de Março de 2016 às 14:17
Aliados de Dilma tentaram impedir novo pedido
Aliados de Dilma tentaram impedir novo pedido FOTO: Fernando Bizerra Jr. / EPA

Aliados da presidente Dilma Rousseff tentaram impedir no final da tarde desta segunda-feira, hora local, meio da noite em Lisboa, a entrega na Cãmara dos Deputados de um novo pedido para destituição da chefe de Estado brasileira. O novo pedido é assinado pela OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, cujo presidente, Cláudio Lamachia, e outros directores da entidade foram fortemente hostilizados e tiveram muita dificuldade para protocolar a ação.

Manifestantes contra o afastamento de Dilma, e que entraram no Congresso auxiliados por parlamentares do Partido dos Trabalhadores, PT, da presidente e de Lula da Silva, fizeram uma barreira humana agressiva e conseguiram durante uma hora e meia impedir o avanço dos representantes da OAB pelo parlamento. Quando Lamachia e os outros advogados tentavam chegar ao gabinete do presidente da Cãmara dos Deputados, Eduardo Cunha, ou ao departamento de protocolo de documentos, os manifestantes pró-Dilma cercavam-nos, impediam o acesso e tentavam expulsá-los.

Depois de inúmeras tentativas, os representantes da OAB decidiram desistir de se encontrar com Cunha ou de tentarem chegar ao departamento de protocolo e optaram por protocolar o pedido de destituição numa sala da direcção do parlamento, o que conseguiram também a muito custo. A atuação da Polícia Legislativa, a segurança do Congresso, foi muito criticada, pois os agentes não quiseram ou não foram capazes de impedir a entrada de manifestantes no parlamento, o que normalmente impedem, nem garantiram o direito dos representantes da OAB de cumprirem o planeado.

O pedido de destituição de Dilma Rousseff apresentado pela OAB tem mais acusações do que o da oposição, já em tramitação, e que acusa a chefe de Estado de ter feito manobras fiscais ilegais para esconder a gravíssima crise económica que o Brasil já atravessava durante a campanha para a reeleição, em 2014, que Dilma venceu. A OAB, além de repetir essa mesma acusação, acusa ainda Dilma de um segundo crime por autorizar nesse ano da reeleição, despesas astronómicas sem consulta ao Congresso e quando as contas públicas já eram desastrosas, de um terceiro crime por ter isentado a Fifa do pagamento de milhares de milhões de euros em impostos durante o mundial de 2014, e, finalmente, de um quarto e importante crime de tentativa de obstrucção da justiça ao nomear para ministro da Casa Civil o ex-presidente Lula da Silva para o ajudar a fugir da alçada do juíz e dos promotores que o investigam por suspeita de corrupção, tráfico de influência, enriquecimento ilícito e ocultação de património.

Após a entrega do documento, Cláudio Lamachia teve dificuldade em falar com a imprensa, novamente por acção dos manifestantes, que gritavam frases pró-Dilma e pró-Lula quando ele começava a falar. Ele e os outros representantes da OAB conseguiram chegar aos seus veículos e deixar o local protegidos por um forte efectivo da Polícia Militar, que os esperava à saída do parlamento.
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