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Correio da Manhã

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Alta tensão em Rafah

O posto fronteiriço de Rafah, sul da Faixa de Gaza, foi ontem forçado a encerrar durante algumas horas devido à manifestação de uma centena de polícias, revoltados com a morte de um colega num confronto de clãs.
31 de Dezembro de 2005 às 00:00
O diplomata português Mário Martins, integrado na missão de observadores da União Europeia (UE) que supervisionam as operações no posto, explicou ao CM que a decisão de fechar foi tomada por razões de segurança.
“Juntaram-se aos manifestantes cerca de 50 elementos das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, fortemente armados, que começaram a disparar tiros para o ar. Alguns deles ficaram violentos e nós, com o acordo de palestinianos e israelitas, decidimos evacuar os monitores da UE e fechar a fronteira”, afirmou o diplomata luso ao CM.
O protesto de polícias foi promovido pela família do agente, natural de Rafah, morto nos confrontos de quinta-feira, em Gaza. “Era o dia dos funerais e a família organizou uma manifestação junto ao terminal de Rafah”, explicou Mário Martins. Recorde-se que a fronteira com o Egipto foi entregue ao controlo palestiniano em Novembro, após mais de 30 anos sob poder israelita.
Os manifestantes acusam o governo de não garantir a segurança dos cidadãos e permitir o alastrar do caos, e prometeram não deixar passar nenhum membro do governo na fronteira enquanto a situação de caos reinante não for resolvida. Mário Martins desvalorizou esta ameaça, feita “num folheto anónimo, escrito em árabe e distribuído entre os manifestantes”, considerando-a mais como a expressão da revolta e da crescente contestação ao poder do presidente Mahmoud Abbas.
REFÉNS BRITÂNICOS LIBERTADOS
Os três reféns britânicos raptados quarta-feira em Gaza foram libertados, anunciou ontem à noite a cadeia de televisão ‘Sky News’, citando fontes em Gaza junto do governo palestiniano. Logo após a notícia da ‘Sky News’, um alto responsável britânico confirmou a libertação dos seus compatriotas.
O negociador palestiniano Kamal Sharafi também afirmou que os três reféns tinham sido libertados mas não deu pormenores sobre o paradeiro de Kate Burton e dos seus pais, Hugh Burton e Helen Win. Recorde-se que Kate, de 24 anos, trabalhava como coordenadora internacional para a organização palestiniana de defesa dos direitos humanos Al-Mezan. O sequestro ocorreu em Rafah, no sul de Gaza, junto à fronteira com o Egipto.
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