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Ameaça russa alimenta expansão da indústria militar sueca

Apesar da muito recente adesão à NATO, a defesa nacional esteve, durante décadas, no centro das preocupações do Estado sueco.

21 de maio de 2026 às 18:15

A indústria militar sueca está em expansão, após décadas de neutralidade, e em Helsingborg, que acolhe o primeiro encontro da NATO organizado pela Suécia, uma empresa de tecnologia militar tenta responder à crescente procura.

Apesar da muito recente adesão à NATO, a defesa nacional esteve, durante décadas, no centro das preocupações do Estado sueco.

Durante a Segunda Guerra Mundial o país desenvolveu o conceito de defesa total: preparação militar aliada a preparação civil, uma mobilização de toda a sociedade para a defesa nacional, com a pré-atribuição de funções aos cidadãos para que as mais importantes necessidades da sociedade sejam asseguradas em caso de guerra.

Os bunkers para civis, que ainda esta quinta-feira se encontram em edifícios residenciais do século XX, generalizaram-se, assim como a formação dada aos cidadãos sobre o que fazer e como ajudar a comunidade em caso de ataque.

Mas apesar do esforço de mobilização militar e civil, a Suécia manteve, durante décadas, uma política de neutralidade e, com o fim da guerra fria, o país foi gradualmente desmantelando o aparelho defensivo.

O ano de 2024 marcou o fim dessa neutralidade histórica. Dois anos após a invasão da Rússia pela Ucrânia, o posicionamento do país nórdico alterou-se e a Suécia juntou-se à NATO, pouco depois da vizinha Finlândia.

O número de empresas suecas que vendem material de guerra triplicou desde 2018, segundo dados da Inspeção de Produtos Estratégicos sueca. As vendas, tanto internas como externas, aumentaram significativamente, de acordo com a mesma agência.

"Foi uma transição total de ausência de defesa para a construção de uma defesa totalmente nova", disse Olof Engvall, director de comunicação da MILDEF, uma empresa de Helsingborg que produz tecnologia militar.

"Nós que estamos tão perto da fronteira, vemos a gravidade da situação de uma forma que eu penso que não se sente em Espanha ou em Portugal", acrescentou.

A empresa, que fica no campus industrial de Helsingborg, a cidade anfitriã do encontro dos ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, produz hardware e software militar.

Um exemplo da produção de hardware são os computadores portáteis para serem usados em cenários de combate e que Engvall qualifica como indestrutíveis.

O diretor executivo da empresa, Daniel Ljunggren, vê grandes oportunidades para o setor.

"A indústria de defesa sueca tem uma reputação muito boa, com o poderio da engenharia sueca, e uma boa reputação na Europa", afirmou.

Os principais clientes são o Estado sueco e os vizinhos nórdicos, refletindo a aposta da região na defesa. A empresa é também fornecedora da gigante sueca de aviação e defesa SAAB e da produtora de armas alemã Rheinmetall.

O ponto de viragem foi, para Ljunggren, a anexação russa da Crimeia em 2014.

"Aí nós vimos que estava a começar", comentou.

Hoje, a indústria militar sueca está em expansão e o país reserva já 2,5% do seu produto interno bruto (PIB) para a defesa, à frente de Portugal, que é membro da NATO desde a sua fundação.

O Governo sueco estabeleceu também uma meta mais ambiciosa do que a acordada pela aliança em 2025: em vez de atingir os 5% do PIB para a defesa em 2035, a Suécia quer fazê-lo já em 2030.

A Europa e os Estados Unidos são os principais clientes deste setor económico sueco, ao lado do Brasil, Austrália e Canadá.

O valor das vendas à Ucrânia está também a crescer, tendo aumentado 16% de 2024 para 2025, segundo a Inspeção de Produtos Estratégicos, e refere-se principalmente a sistemas de combate terrestre e de defesa aérea.

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