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Correio da Manhã

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AMERICANOS SOB PRESSÃO EM BAGDAD

As analogias com o Vietname começam a surgir com insistência na imprensa internacional, à medida que aumentam os ataques contra militares norte-americanos na região de Bagdad. Esta quinta-feira, um elemento das forças especiais foi morto e dois soldados foram dados como desaparecidos, duas viaturas foram atacadas em incidentes separados e registou-se uma nova sabotagem em oleodutos.
26 de Junho de 2003 às 20:22
A propaganda da vitória aliada produziu imagens de iraquianos a bater com um sapato no retrato de Saddam, mas agora o sapato bate nos destroços de um veículo militar norte-americano
A propaganda da vitória aliada produziu imagens de iraquianos a bater com um sapato no retrato de Saddam, mas agora o sapato bate nos destroços de um veículo militar norte-americano
A população de Bagdad já pouco esconde a sua fúria pela forma como a liberdade prometida pelos norte-americanos lhes é, de facto, apresentada. Nas duas últimas semanas registaram-se seis actos de sabotagem contra oleodutos nos arredores da capital iraquiana, comprometendo o abastecimento de energia – e consequentemente de água – à cidade e os esforço de reconstrução destinado a recolocar o petróleo iraquiano no mercado internacional.
O ressentimento dos iraquianos em Bagdad agrava-se ao ritmo da crescente dificuldade em encontrar água potável e o responsável norte-americano pela reconstrução da indústria petrolífera iraquiana, Timothy Carney, sente também o peso das dificuldades que se acumulam dia após dia. Em declarações à Rádio BBC, Carney acusou o comando militar norte-americano de – e citamos – “pura e simplesmente não entender ou não dar a devida prioridade á transição da missão militar para a missão politico-militar”. Como desabafa um iraquiano numa rua da capital: “Os americanos estão a passar dos limites”.
Desde que George W. Bush decretou o fim das hostilidades, a 1 de Maio, o contingente norte-americano na região de Bagdad tem-se confrontado com um movimento de resistência armada, que recorre a tácticas de guerrilha e aumenta o ritmo dos seus ataques furtivos a cada dia que passa. Só hoje, por exemplo, uma unidade de forças especiais foi atacada num subúrbio sul de Bagad e um militar norte-americano morreu e oito ficaram feridos. Logo pela manhã, um veículo norte-americano que, alegadamente, transportava apenas dois electricistas iraquianos, foi alvo de um foguete disparado de um veículo civil em movimento. Um iraquiano morreu e outro ficou ferido. Horas depois, um reboque militar norte-americano, que puxava um pequeno camião numa auto-estrada a sul de Bagdad, foi alvo de um foguete. Dois soldados ficaram feridos, sem gravidade.
A odisseia dos norte-americanos na região de Bagdad parece ter-se propagado ao Sul do país, à região de Bassorá, onde seis soldados britânicos foram chacinados por uma população em fúria, terça-feira, em Majjar. A segurança é uma palavra cada vez mais insignificante no Iraque, onde a promessa de futuro continua adiada, comprometida por uma guerra de guerrilha capaz de transformar a vitória em derrota e de atingir directamente os planos políticos da Casa Branca de Bush.
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