"O objetivo é evitar que os ataques aos direitos e às liberdades transformem um festival de alegria num festival de medo", informa a Amnistia Internacional.
A Amnistia Internacional lançou esta segunda-feira, "Dia Mundial do Futebol", uma petição defensora de um Mundial2026 inclusivo e "sem discriminação", com o "objetivo de evitar transformar um festival de alegria num de medo".
"A iniciativa apela à proteção de protestos pacíficos, ao fim das detenções em massa e deportações, à proteção de todos contra a discriminação", informa a Amnistia Internacional, que pretende que seja garantido um "Mundial para todos".
Esta ação surge a pouco mais de duas semanas do início do Campeonato do Mundo, entre 11 de junho e 19 de julho, organizado pelos Estados Unidos, México e Canadá, e que pela primeira vez junta 48 seleções.
Com o lema "Mundial 2026: Não ao medo, não à repressão, não às desculpas!", a Amnistia Internacional procura angariar o maior numero de assinaturas para pressionar a FIFA e o seu presidente, Gianni Infantino, bem como os governos dos países anfitriões.
"O objetivo é evitar que os ataques aos direitos e às liberdades transformem um festival de alegria num festival de medo", sublinha o organismo.
A Amnistia Internacional recorda que a cada quatro anos "milhares de milhões de pessoas, até de culturas radicalmente diferentes, falam a mesma língua, a do futebol", pelo que deseja que o evento, "que une pessoas como nenhum outro", deve garantir que os valores da "humanidade" sejam preservados e garantidos.
O problema é que, defende o organismo, à medida que o início do torneio se aproxima, as autoridades dos EUA, México e Canadá "continuam a perseguir imigrantes, a restringir protestos e a empurrar comunidades já marginalizadas para a invisibilidade".
No fim de março, a Amnistia Internacional lançou o relatório "A Humanidade Tem de Vencer: Defender os direitos, combater a repressão no Campeonato do Mundo da FIFA de 2026", onde expunha os riscos significativos desta edição do Mundial em termos de violações de direitos humanos e o seu impacto sobre adeptos, jogadores, jornalistas, trabalhadores e comunidades locais nos três países anfitriões.
A organização destaca o facto de, só em 2025, a administração Trump ter deportado mais de 500 mil pessoas --- mais de seis vezes o número de pessoas que assistirão à final do Mundial ao vivo --- nos Estados Unidos, "além dos agentes de imigração terem matado migrantes, manifestantes e observadores".
No caso do México, recorda-se que "a mobilização das forças armadas coloca em risco manifestantes pacíficos", enquanto no Canadá "as pessoas em situação de sem-abrigo são empurradas ainda mais para a margem".
"Nos três países, os adeptos LGBTQI+ enfrentam discriminação, violência e assédio", completa a Amnistia Internacional.
A petição sustenta que os adeptos e as comunidades locais devem poder celebrar o futebol livremente.
Recorda-se ainda que a FIFA prometeu um torneio onde todos se sentissem seguros, incluídos e livres para exercer os seus direitos, porem, diz a Amnistia Internacional, "a repressão e a divisão ameaçam assumir o protagonismo".
"Para que se cumpra a promessa da FIFA de que o Mundial pertence a todos, a petição apela a que se respeitem os protestos pacíficos, ponha fim às detenções em massa e às deportações e proteja todos contra a discriminação. Cabe à FIFA e às autoridades anfitriãs escolher entre medo e liberdade, entre divisão e unidade, entre crueldade e humanidade", concluiu a Amnistia Internacional.
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