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Angela Merkel reeleita

Angela Merkel vence as eleições com 41,5% dos votos. (Atualizada às 01h32).
22 de Setembro de 2013 às 17:15
A chanceler da Alemanha vai continuar no cargo
A chanceler da Alemanha vai continuar no cargo FOTO: AFP/Getty Images

A chanceler alemã Angela Merkel venceu as legislativas de domingo, com o partido conservador CDU/CSU a conseguir 41,5% dos votos, indicam resultados oficiais provisórios divulgados. 

O aliado liberal FDP, na coligação governamental cessante, foi afastado da câmara baixa do parlamento (Bundestag), pela primeira vez na história da República Federal da Alemanha, por só ter conseguido 4,8% dos votos, ficando aquém dos 5% necessários para ter representação parlamentar. 

O partido social-democrata SPD, com o qual Angela Merkel poderá formar uma coligação governativa, conseguiu 25,7% dos votos, de acordo com os mesmos dados.           

Esta foi já a terceira vez que Angela Merkel se candidatou ao cargo de chanceler.

EXTREMISTAS À PORTA

Segundo as projeções do canal de televisão público alemão, o partido de extrema-direita Alternative for Germany (AfD) conseguiu uma percentagem de 4,9% dos votos, a um pequeno passo dos 5% necessários para entrar no parlamento.

Alguns especialistas acreditam que os resultados podem ser abaixo do esperado porque alguns apoiantes do partido podem não querer admitir que tinham votado no AfD.

Se o partido conseguir uma percentagem acima dos 5% nos resultados finais, tornam-se o primeiro novo partido no Bundestag desde 1990 e o único partido a favor do final do Euro e do regresso da Alemanhã ao marco.

ALIANÇAS POSSÍVEIS

A líder do Governo alemão participava num painel televisivo pós-eleições quando explicou que era "óbvio" que não iria tentar governar com um executivo minoritário, caso não consiga alcançar a maioria absoluta que está próxima, mas ainda não confirmada pela contagem oficial dos votos.

Merkel admitiu que "com grande probabilidade, as negociações de coligação vão ser conduzidas entre nós", enquanto olhava para os líderes do SPD e dos Verdes, que também participavam no mesmo debate.

MENOS ABSTENÇÃO

As urnas abriram às 8h00 da manhã locais (menos uma hora em Lisboa) e encerram às 18h00. A meio do dia, a participação era de 41,4%, acima do que os 36,1% registados à mesma hora, nas eleições de 2009. Mais de 61 milhões dos 82 milhões de alemães foram hoje chamados às urnas para elegerem os membros do 18.° Bundestag - a câmara baixa do Parlamento.

CAUTELA NA COLIGAÇÃO

A chanceler alemã reagiu aos primeiros resultados das sondagens afirmando que esta foi uma "super vitória", mas pediu, no entanto, cautela porque ainda é cedo para discutir coligações.

A número dois do SPD, Andrea Nahles, também declarou, no rescaldo das sondagens, que "não nos vamos comprometer a nenhuma coligação esta noite".

A CDU não alcançava resultados tão bons nas eleições desde 1990.

REAÇÃO DA OPOSIÇÃO

O Candidato do SPD para Chanceler, Peer Steinbrueck, mostrou-se desiludido e afirmou que "não conseguimos os resultados que queríamos. Foram melhores do que em 2009 mas não nos levam ao objetivo que tínhamos em mente."

No entanto, o candidato diz que "não se vai deixar cair em especulações acerca da formação de governo. A bola está do lado da senhora Merkel e é ela que tem de alcançar a maioria".

O líder do partido extremista AfD, Bernd Lucke, afirmou que "esperamos que no decorrer da noite se torne claro que o AfD esteja representado no Parlamento, mas já sabemos que contribuímos para enriquecer a democracia na Alemanha" e atacou os partidos convencionais, dizendo que "os outros partidos já aprenderam que não podem permitir tudo e que vai haver oposição de dentro da sociedade".

O candidato do FDP, Rainer Bruederle assumiu que "esta é uma noite difícil. Este é o pior resultado de sempre no FDP" e afirmou que numa hora difícil para o partido assume "toda a responsabilidade por isto".

A principal candidata do partido Green (Verde), Katrin Goering-Eckhardt, também reagiu a um "momento difícil" com os resultados das eleições. Porém, a candidata realçou que "iremos sair deste buraco outra vez, com uma análise dura desta derrota porque sabemos que somos fortes".

FRANÇA CONGRATULA MERKEL

O Presidente francês, François Hollande, deu os parabéns a Angela Merkel pela vitória nas eleições e convidou-a para conversações em Paris assim que o novo governo for formado, revelou a presidência francesa.

Hollande e Merkel tiveram uma conversa em que expressaram a sua vontade em "continuar a sua cooperação para enfrentar os novos desafios da construção da Europa", dizia  o comunicado.

EUROPA COMENTA RESULTADOS

O analista politico alemão Carsten Koschmieder acredita que "se Merkel acabar por ter maioria absoluta vai ser por uma margem muito pequena, por isso não vai facilitar as coisas para ela". O especialista afirmou também que a chanceler "terá de prestar muito mais atenção às pessoas no seu próprio partido, como por exemplo aos que votaram à favor do perdão da dívida grega".

O Presidente do Conselho Europeu, Herman Von Rompuy, congratulou Merkel pela vitória e mostrou-se confiante que "a Alemanha e o seu novo governo vão continuar a contribuir para a construção de uma Europa próspera ao serviço de todos os cidadãos".

O Partido Popular Europeu (PPE) felicitou a chanceler alemã pela "vitória robusta". Segundo o seu presidente, Wilfried Martens, "o resultado fantástico" da CDU nas eleições é "o melhor em mais de 20 anos" e ilustra "a confiança do povo na chanceler Merkel e nos democratas-cristãos para continuarem a levar o seu país para a frente".

O PPE é a maior família política europeia, incluindo 13 chefes de governo e de Estado da União Europeia, os presidentes da Comissão, Durão Barroso, e do Conselho, Herman van Rompuy, e 74 partidos, entre os quais PSD e CDS-PP.

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