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Angola: Protesto anti-regime termina em violência

A polícia angolana dispersou ontem "com brutalidade" uma manifestação de jovens angolanos, em Luanda, que exigiam a "destituição do presidente José Eduardo dos Santos". O protesto terminou com vários feridos, detenções e agressões, incluindo a jornalistas que ficaram com câmaras de filmar e máquinas fotográficas partidas.

04 de setembro de 2011 às 00:30

O protesto, o maior realizado na capital nos últimos tempos, juntou pelo menos 400 jovens no largo da Independência, sob vigilância de um forte aparato policial. Inicialmente pacífica, a manifestação descambou em violência quando os activistas decidiram marchar em direcção ao Palácio Presidencial para exigir a libertação de um dos promotores do protesto, alegadamente raptado horas antes. A polícia tentou impedir a marcha, tendo-se gerado de imediato violentos confrontos, que resultaram em vários feridos e agressões. Relatos dão conta de agentes à paisana e polícias a cavalo que agrediram manifestantes.

A violência não poupou os jornalistas, nomeadamente da RTP África, cujo equipamento, câmaras de filmar e máquinas fotográficas, ficou danificado. Contactado pelo CM, o director de Informação da RTP, Nuno Santos, confirmou que durante o protesto "uma câmara ficou danificada, mas a equipa de reportagem [liderada por Paulo Catarro] saiu ilesa". O mesmo se passou com o correspondente da Voz da América em Luanda, Alexandre Neto, que também viu destruído o material de trabalho. "Fui agredido e confiscaram-me o carro", confirmou ao Correio da Manhã.

"Numerosos agentes de segurança à paisana, em coordenação com a polícia uniformizada, envolveram-se em pancadaria com os manifestantes", explica o jornalista. "Ainda antes do protesto, vários jovens foram interceptados por um grupo de homens armados com Kalashnikovs, que arrastaram um jovem para uma viatura. Agredido, foi depois abandonado numa praia", acrescentou.

Doze dos detidos, mais de 20, foram arrastados para uma carrinha da polícia, onde ficaram fechados mais de 30 minutos. Muitos, devido ao forte calor na cidade de Luanda, sentiram-se "quase asfixiados" - afirmou um dos detidos.

UM 'REINADO' COM MAIS DE TRÊS DÉCADAS

José Eduardo dos Santos, de 69 anos, está à frente dos destinos de Angola há 32 anos. Uma longa carreira política ligada desde muito cedo à luta pela independência do país. Ainda estudante no Liceu Salvador Correia, hoje Mutu Ya Kevela, Eduardo dos Santos entrou para o então movimento clandestino MPLA. Em 1962, integrou o Exército Popular de Libertação de Angola e, com a proclamação da Independência, a 11 de Novembro de 1975, foi nomeado ministro das Relações Exteriores. Com a morte de Agostinho Neto, foi eleito chefe de Estado a 20 de Setembro de 1979.

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