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Anne Frank pode ter sido denunciada aos nazis por um notário judeu

Arnold van den Bergh terá denunciado o esconderijo em troca da segurança da própria família.
Correio da Manhã 17 de Janeiro de 2022 às 13:04
'Diário de Anne Frank'
'Diário de Anne Frank' FOTO: D.R.

Uma equipa que investiga casos arquivados, liderada por um antigo agente do FBI, sugere que um notário judeu é o principal suspeito da traição a Anne Frank e à família, que ficou escondida num anexo durante dois anos, até ser detida pelos nazis.

Arnold van den Bergh, que morreu em 1950, foi acusado com base em seis anos de pesquisa e uma nota anónima recebida pelo pai de Anne, Otto Frank, quando voltou a Amsterdão no final da guerra, avançou o The Guardian.

A nota refere que Van der Bergh, membro de um conselho judaico, tinha denunciado aos nazis o esconderijo da família Frank. 

Num documentário da CBS e no livro "The Betrayal of Anne Frank", de Rosermary Sullivan, é apontado que uma das motivações do notário para a denúncia seria assegurar a sua segurança e da própria família. Van der Bergh teria denunciado os esconderijos como um seguro de vida para a família. Coincidência ou não, nem ele nem a filha foram deportados para os campos de concentração.

Anne Frank escondeu-se durante dois anos num anexo em cima de um armazém em Amsterdão antes de ser descoberta pelos nazis no dia 4 de agosto de 1944, junto com o pai, a mãe, Edith e a irmã, Margot. Depois de detida, a jovem foi enviada para o campo de de Westerbork e depois para o campo de concentração de Auschwitz.

Anne acabou por morrer aos 15 anos no campo de extermínio em Bergen-Belsen, possivelmente depois de ter contraído tifo. O seu diário documenta o período em que ficou escondida no anexo, desde 1942.

Apesar de haver uma série de investigações sobre o assunto, o mistério sobre quem terá conduzido os nazis ao anexo ainda permanece sem solução. Acreditava-se que o pai, Otto Frank, que morreu em 1980, tinha suspeitas sobre a identidade dessa pessoa, mas nunca a chegou a divulgá-las em público.

Vários anos depois da guerra, Otto contou ao jornalista Friso Endt que a família tinha sido traída por alguém da comunidade judaica. 

 

 

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