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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Antiga conselheira da administração Trump pede Europa com economia forte e capaz de se defender

Durante a conferência organizada pelo NOW, a analista identificou Pequim como "um problema para o mundo livre" e considerou que China, Rússia e Irão "não estão interessados em reformar-se".

16 de junho de 2026 às 17:04

A antiga conselheira diplomática da administração Trump Mary Kissel defendeu esta terça-feira em Lisboa que os Estados Unidos (EUA) precisam de uma Europa "com economias fortes" e capaz de garantir a sua segurança, enquanto desvalorizou a redução de militares norte-americanos.

"Precisamos de uma Europa com economias fortes e vigorosas. Não precisamos que ataque as nossas empresas tecnológicas, queremos que trabalhe com elas. Queremos que acolha o nosso investimento. Queremos que produza o seu próprio petróleo e gás. Precisamos da Europa. E acho que isso se perde com a dureza da retórica", afirmou esta terça-feira Mary Kissel, que foi conselheira no Departamento de Estado dos EUA e trabalhou com o chefe da diplomacia Mike Pompeo no primeiro mandato de Donald Trump na Casa Branca.

Intervindo no evento 'The Lisbon Conference', organizado pelo canal NOW e com curadoria do antigo primeiro-ministro português e antigo presidente da Comissão Europeia José Manuel Durão Barroso, Mary Kissel relativizou o peso da saída de militares norte-americanos dos contingentes da NATO na Europa.

"Acho que devemos pôr as coisas em perspetiva. Estamos a falar de vários milhares de soldados entre dezenas e dezenas de milhares. Penso que, por vezes, os movimentos do pessoal dos EUA são um pouco exagerados para causar efeito", comentou.

A analista identificou Pequim como "um problema para o mundo livre" e considerou que China, Rússia e Irão "não estão interessados em reformar-se" e representam "uma ameaça muito complexa", porque "invadiram os sistemas e enviaram centenas de milhares de pessoas" para os EUA.

Sobre onde ficarão estacionadas as tropas norte-americanas, respondeu que "dependerá de onde estiverem as ameaças".

"Não sei como será a nossa presença militar, mas sei que o interesse nacional dos Estados Unidos está na promoção da liberdade, e isso não é o que estes três regimes desejam", comentou.

"Precisamos de nos concentrar nos nossos recursos internos, em proteger a nossa pátria. E precisamos que a Europa assuma mais responsabilidade pela sua segurança, tal como os nossos parceiros na Ásia-Pacífico", sublinhou.

Para Mary Kissel, durante 40 anos, os EUA pensaram que eram "a única superpotência do mundo" e não se preocuparam com Rússia, China ou Irão, mas, avisou: "Esses tempos acabaram".

"Acordámos", salientou, considerando que o Presidente Donald Trump "é o produto de um sistema em transição".

A antiga conselheira diplomática defendeu ainda a qualidade da democracia dos EUA: "As nossas instituições funcionam. São muito fortes e vigorosas. O nosso Supremo Tribunal toma uma decisão, e a administração cumpre-a. Não há dúvida disso".

Questionada sobre a diminuição de investimento dos Estados Unidos em ajuda pública ao desenvolvimento, nomeadamente com a extinção da USAID, ou os cortes nas contribuições para agências das Nações Unidas, Mary Kissel defendeu que os EUA "continuam incrivelmente filantrópicos e envolvidos".

Sobre a ONU, lamentou "a falta de iniciativas para analisar a corrupção financeira ou os abusos cometidos pelos capacetes azuis [como são designados os militares que integram as missões de paz das Nações Unidas]".

"Queremos instituições multilaterais que funcionem", sublinhou.

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