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Após anos de abuso sexual, irmãs matam pai à martelada e à facada. Julgamento gera polémica

Jovens estão a ser julgadas por homicídio. Ativistas defendem que as três não tiveram outra opção ou morreriam às mãos do progenitor.
Correio da Manhã 31 de Julho de 2020 às 09:38
Krestina e Angelina Khachaturyan
Maria Khachaturyan
Krestina e Angelina Khachaturyan
Maria Khachaturyan
Krestina e Angelina Khachaturyan
Maria Khachaturyan
Krestina, Angelina, e Maria, de 19, 18 e 17 anos, são os nomes das três jovens cujo crime e consequente julgamento está a gerar polémica em Moscovo, na Rússia. 

Após anos de abuso sexual, físico e psicológico às mãos do pai Mikhail Khachaturyan, as três irmãs decidiram tomar medidas drásticas visto que, na Rússia, a lei não protege vítimas de violência doméstica - a menos que estas tenham de recorrer ao hospital. 

Mikhail Khachaturyan foi encontrado na escada de um prédio em Moscovo, em julho de 2018, com dezenas de feridas de faca no peito e no pescoço.

Poucas horas antes da sua morte, o homem tinha voltado de uma clínica psiquiátrica, alinhou as três filhas para castigá-las pelo apartamento desarrumado e borrifou-lhes o rosto com gás-pimenta, de acordo com investigadores e advogados das irmãs. A filha mais velha, Krestina, asmática, acabou mesmo por desmaiar.

Nessa mesma noite, Krestina, Angelina, e Maria agarraram num martelo, numa faca e na lata de gás-pimenta que o pai usou nelas e mataram-no. 

Depois do crime tentaram ferir-se para poderem dizer às autoridades que o pai as tinha golpeado primeiro.

Foram detidas no dia seguinte ao homicídio e confessaram o crime alegando que sofriam há vários anos de abuso sexual, físico e psicológico por parte do pai.

Esta sexta-feira decorrerá o julgamento polémico em Moscovo. Ativistas defendem que as irmãs não tiveram outra opção senão matar.

Em mensagens obtidas no telemóvel do pai e publicadas no Facebook por Aleksey Liptser, advogado das irmãs, Mikhail Khachaturyan ameaça matar as filhas e abusar sexualmente delas e da mãe das irmãs.

"Vou bater-vos por tudo, vou matar-vos", lê-se na mensagem onde o pai também acusa as jovens de ter relações sexuais com um amigo. "Vocês são prostitutas e morrerão como prostitutas".

Em 2017, Vladimir Putin despenalizou o crime de violência doméstica salvo apenas a exceção de a vítima sofrer ferimentos graves, que a obriguem a recorrer ao hospital ou a faltar ao trabalho.
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