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Aquecimento do Ártico é quatro vezes mais rápido do que no resto do mundo

Fenómeno é conhecido como "amplificação do Ártico".
Correio da Manhã 11 de Agosto de 2022 às 19:55
Ártico
Ártico FOTO: José Alves
O aquecimento do Ártico está quatro vezes mais rápido do que o resto do mundo, aumentando a crise climática em todo o planeta.

Segundo uma investigação publicada esta quinta-feira na revista Communications Earth & Environment, foi descoberto que o Ártico como um todo aqueceu muito mais rapidamente do que nas últimas quatro décadas. Em causa está o aumento das temperaturas globais devido às emissões de gases com efeito de estufa causadas pelo homem, principalmente devido à utilização de combustíveis fósseis.

A subida do nível do mar está também a ser impulsionada pelo aquecimento no Ártico, o que ajudou a derreter plataforma de gelo da Gronelândia - o que significa que o aquecimento das temperaturas em ambos os polos poderia ter sérias consequências a nível mundial.

No novo estudo, iniciado após uma série de intensas ondas de calor no Ártico em 2020, Mika Rantanen, cientista climático do Instituto de Meteorologia finlandês e investigar principal do estudo, e os colegas analisaram o aquecimento no Ártico a partir de dados de temperatura observados recolhidos entre 1979 e 2021 em todo o extremo norte do mundo.

Desde 1979, o Ártico como um todo aqueceu 3,8 vezes mais depressa do que a média global que os autores encontraram. De acordo com Rantanen, citado pelo The Independent, a taxa de aquecimento não foi uniforme em todo o Ártico. Em geral, as áreas mais próximas do Pólo Norte aqueceram mais rapidamente do que as áreas mais a sul, segundo o estudo.

Por exemplo, a área à volta de Novaya Zemlya, um grupo de ilhas no nordeste da Rússia, tem aquecido cerca de sete vezes mais depressa do que a média global.

Este aquecimento mais rápido é um fenómeno conhecido como "amplificação do Ártico" e deve-se em parte ao derretimento do gelo do mar, explicou Rantanen, acrescentando que o gelo do mar derrete durante o verão, permitindo que o calor do oceano se desloque para a atmosfera. Isto pode explicar as diferenças sazonais nas taxas de aquecimento.

Segundo o estudo, de outubro a dezembro, o Ártico está a aquecer cerca de cinco vezes mais depressa do que o resto do planeta, enquanto que os meses de primavera e verão foram mais lentos.

Outros fatores que contribuem para a "amplificação do Ártico" incluem a cor escura do oceano na qualidade brilhante e refletora do gelo uma vez que as cores mais escuras absorvem mais luz solar do que as mais claras. Assim sendo, o oceano absorve mais calor após o derretimento do gelo.

Além disso, de acordo com Rantanen, o aquecimento do Ártico é alimentado pelo movimento do ar e da humidade através da atmosfera.

O novo estudo surge um dia depois de uma equipa internacional de cientistas ter publicado esta quarta-feira uma investigação a sugerir que a plataforma de gelo da Antártida, conhecida como o "gigante adormecido", podia, sozinha, elevar o nível do mar até cinco metros nos próximos séculos, se o aquecimento planetário continuar rapidamente.

Outras investigações recentes concluíram também que o Ártico está agora a aquecer ainda mais rapidamente do que se pensava anteriormente, tal como um no início deste verão. 

E porque é que o aquecimento no Ártico pode ser prejudicial?
O aquecimento no Ártico pode ser prejudicial à população local e à vida selvagem, uma vez que o gelo marinho e o permafrost - solo que permanece continuamente abaixo de 0 graus Celsius durante dois ou mais anos, localizado em terra ou sob o oceano - derretem.

No entanto, este aquecimento também pode acelerar o derretimento das camadas de gelo e dos glaciares, o que contribui para o aumento global do nível dos oceanos.

Opinião sobre o novo estudo
Nick Lutsko, um cientista climático da Scripps Institution of Oceanography, que não estava envolvido na investigação, disse ao The Independent que achava que o estudo publicado na revista Communications Earth & Environment era "bastante minucioso".

"Se a amplificação do Ártico for realmente um fator, isso será realmente uma má notícia para todos os que vivem no Círculo Ártico ou perto do Círculo Ártico", referiu o Lutsko.
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