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Arcebispo brasileiro critica "dragão do tradicionalismo" e diz que direita é violenta e injusta

Dom Orlando Brandes fez o sermão durante a missa solene em homenagem a Nossa Senhora Aparecida.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 13 de Outubro de 2019 às 01:22
Padre
Padre FOTO: Getty Images

Num sermão carregado de críticas sociais e políticas, o Arcebispo do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, no interior do estado de São Paulo, atacou o que chamou de "dragão do tradicionalismo", numa alusão a ideologias ultraconservadoras, e considerou a direita "violenta" e "injusta".

Dom Orlando Brandes fez o sermão durante a missa solene em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, cuja imagem original foi descoberta por pescadores em 12 de Maio de 1717 num rio perto de onde foi erguido o que é hoje o maior templo católico do Brasil, em Aparecida, a 189 km da cidade de São Paulo.

"Temos o dragão do tradicionalismo. A direita é violenta, é injusta, estão a fuzilar o Papa, o Sínodo (sobre a devastação da Amazónia), o Concílio Vaticano II."-Declarou Dom Orlando Brandes para a multidão de dezenas de milhares de fiéis que lotavam a gigantesca Basílica de Aparecida ou assistia do lado de fora em ecrãs gigantes por já não haver mais lugar dentro do templo, explicitando à saída da celebração:"Todo mundo sabe o que é direita. Nós temos muitas pessoas que não aceitam o Vaticano, o Papa, por visão tradicionalista. Às vezes com nomes diferentes, nomes antigos. São grupos muito antigos, que sempre buscam os próprios interesses."

No seu sermão de cerca de 10 minutos, e que depois explicou ter sido contra ideologias radicais e não especificamente contra governos, o Arcebispo de Aparecida também abordou outros temas que afligem os brasileiros, como o alto índice de suicídio de jovens, o abandono aos idosos, o drama dos milhões de desempregados e dos inocentes que morrem por todo o país vítimas da violência, inclusive de balas perdidas.

E fez uma dura crítica ao pouco caso que se faz da proteção da Natureza, principalmente da Amazónia, tema principal do encontro mundial de líderes católicos que decorreu nos últimos dias no Vaticano e que exaltou.

"Bendito seja o Sínodo da Amazónia, que está a pensar na vida daquelas árvores, daqueles rios, daqueles pássaros mas, principalmente, daquelas populações."-Continuou o Arcebispo.

Em outro ponto do sermão, Dom Orlando Brandes voltou a citar o "dragão do tradicionalismo" para criticar a corrupção. Segundo o religioso, sem citar o governo Bolsonaro, o que não faltam no momento no Brasil são "dragões", que avaliou estarem na origem de vários dos maiores males que afligem hoje em dia o país.

"Aquele dragão, que nas Escrituras representa o mal, ainda continua. Estão a ser facilitados agora os caminhos do dragão da corrupção, que tira o pão da nossa boca, que aumenta as desigualdades sociais. Nenhuma mãe pode ficar feliz com os seus filhos desempregados, com filhos sofrendo uma violência injusta, com filhos e filhas não tendo nem como sobreviver cada dia."-Acrescentou Dom Orlando Brandes, ponderando:"Dragão é o que não falta, mas a Fé vencerá."
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