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Correio da Manhã

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Arco-íris em campo da morte

Um arco-íris maravilhoso, sinal de reconciliação de Deus com os homens, levantou-se no antigo campo de concentração de Auschwitz-Birkenau no momento em que Bento XVI rezou perante 22 lápides de vítimas do crematório n.º 2.
29 de Maio de 2006 às 00:00
 Antigo prisioneiro de Auschwitz
Antigo prisioneiro de Auschwitz FOTO: Andrzej Wiktor/EPA
Na última etapa da visita à Polónia, numa viagem de grande simbolismo e de profunda emoção, o Papa deslocou-se pela primeira vez ao campo da morte em busca da reconciliação. “É quase impossível falar neste lugar de horror. E é particularmente difícil para um Papa proveniente da Alemanha”, disse.
A pé e sozinho, Bento XVI atravessou o portão que na II Guerra Mundial dava acesso ao horror e sobre o qual está a inscrição em alemão “O Trabalho liberta-te”. Junto ao muro da morte, o Papa rezou, convivendo depois com 32 ex-prisioneiros cristãos e judeus. Bento XVI pegou nas mãos dos sobreviventes, tocou na face das mulheres e ao judeu Henryk Mandelbaum deu-lhe dois beijos.
Discursando em italiano, depois de ter feito uma oração em alemão, Bento XVI afirmou: “Venho aqui implorar a reconciliação da parte de Deus único”. E lembrando os que hoje sofrem, o Papa pediu a Deus “a graça da reconciliação com todos que nesta hora da nossa História sofrem o poder do ódio e da violência”.
Numa lição para o futuro sobre a barbárie nazi, Bento XVI expressou: “O lugar onde nos encontramos [Auschwitz] é um lugar de memória, que é ao mesmo tempo um lugar de Shoah [holocausto em hebreu]. Mas o passado nunca é apenas passado. Indica-nos os caminhos que devemos tomar. Nestas lápides cerra-se o destino de vários seres humanos que querem suscitar em nós a coragem.”
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