O primeiro-ministro israelita, Ariel Sharon, anunciou ontem o congelamento de todos os esforços diplomáticos até os palestinianos esmagarem os grupos terroristas, em particular a Jihad Islâmica, que reivindicou o atentado de sexta-feira junto a uma discoteca de Telavive. Há, além disso, rumores de um ataque à Síria, país acusado por Israel de ter apoiado o atentado, que vitimou quatro pessoas e feriu cerca de 50 outras.
“Não haverá qualquer progresso diplomático até os palestinianos tomarem medidas vigorosas para eliminar os grupos terroristas e a sua infra-estrutura no território palestiniano”, afirmou Sharon. Dirigindo-se em tom firme e áspero aos seus ministros, o líder israelita salientou ainda que o teste imediato de Mahmoud Abbas, presidente palestiniano, é o desmantelamento da Jihad Islâmica.
Mas as medidas de retaliação não contemplam, para já, uma acção armada. O adiamento da transferência para as autoridades palestinianas do controlo de cinco cidades da Cisjordânia é a primeira medida de retaliação, à qual acresce a reconsideração da promessa de libertação de mais 400 presos palestinianos. Recorde-se que Israel libertou 500 presos a semana passada, em cumprimento do acordo de cessar-fogo assinado com Abbas no início do mês.
“Não faz qualquer sentido libertar presos enquanto o terrorismo continua, isso seria um prémio para o terrorismo”, afirmou Sharon, salientando que a preparação de acções militares foi acelerada. Zeev Boim, ministro adjunto da Defesa afirmou que Israel vai “retomar todas as tácticas”, incluindo a dos assassinatos de líderes da Jihad Islâmica se Abbas não dominar os radicais.
Boim considerou mesmo provável um ataque à Síria, país que negou oficialmente qualquer laço com o atentado de Telavive, mas essa ameaça foi negada por Shimon Peres, vice-primeiro-ministro israelita. “A Síria está envolvida em muitas coisas terríveis mas os EUA estão de momento a liderar no que toca a medidas contra a Síria”, explicou Peres.
Em Damasco, o governo sírio demarcou-se da violência e garantiu mesmo ter encerrado a sede da Jihad na capital.
REGRESSAR AO PONTO ZERO?
Numa reacção às ameaças israelitas, o ministro da Informação palestiniano, Ghassan al-Khatib, considerou-as “uma receita para mais violência”.
Recorrendo a um tom de alguma ironia, o primeiro-ministro palestiniano, Ahmed Qorei, afirmou, por seu lado, que o congelamento de negociações não fará os palestinianos “chorar”. “Após Sharm-el-Sheikh há uma possibilidade para a paz e gostaríamos de dar seguimento a este esforço”, salientou ainda o chefe do novo governo palestiniano.
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