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Correio da Manhã

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Armas à solta em Timor

Mais de metade das armas e quase todas as munições da Polícia Nacional de Timor-Leste (PNTL) desapareceram na sequência das divisões na estrutura daquela força. A notícia é avançada pelo jornal australiano ‘Sydney Morning Herald’, que cita um analista de segurança sem, contudo, o identificar.
7 de Junho de 2006 às 00:00
 A maioria das armas apreendidas são tradicionais
A maioria das armas apreendidas são tradicionais FOTO: Zainal Abd Halim/Reuters
Refira-se que as armas apreendidas até agora são, na sua maioria, tradicionais.
De acordo com aquele jornal, as autoridades timorenses desconhecem o paradeiro de metade das três mil pistolas ‘Glock’ de 9mm, que tinham sido distribuídas aos 3400 membros da PNTL, bem como de mais de metade das 400 carabinas de assalto ‘Steyr’ e ainda de pistolas-metralhadoras HK-33. Também não se sabe o que aconteceu a 160 das 200 espingardas ‘FNC’ e a todas as pistolas automáticas ‘F-20000’ usadas pelo corpo de protecção pessoal da PNTL. O mesmo se passa com as munições.
As tropas autralianas no terreno confiscaram mais de mil armas, mas a maior parte delas são catanas, machetes e espadas. Esta situação surge na sequência do abandono da cadeia de comando da Polícia após uma intervenção dos militares numa manifestação de cerca de 600 ex-soldados que protestavam contra a discriminação étnica nas Forças Armadas. Recorde-se que o superintendente da Polícia, Paulo Fátima Martins, está ausente de Díli desde que eclodiram os confrontos. Na última reunião do Conselho Superior da Defesa e Segurança ficou acordado que se faria um inventário detalhado do armamento quer da PNTL quer das Forças Armadas.
ENCOMENDA EXCESSIVA
A questão do armamento tem causado sérios embaraços ao governo de Timor. Recorde-se que na semana passada o CM revelou em primeira mão que, em Dezembro de 2003, o então embaixador português em Timor, Rui Quartim Santos, alertara Lisboa para o facto de o ex-ministro do Interior timorense, Rogério Lobato, ter feito uma encomenda de armamento superior às necessidades dos militares. Muitas destas armas poderão ter ido parar às mãos de civis.
'DESCONHECEM A CONSTITUIÇÃO'
O primeiro-ministro Mari Alkatiri respondeu ontem aos manifestantes que exigem a sua demissão, afirmando que demonstram um “total desconhecimento da Constituição”. “O presidente para dissolver o governo tem de obedecer a critérios rigorosos e, exigir isso, é o desconhecimento total do país, da sua Constituição e da sua história”, afirmou.
“Se cada vez que 300, 400 ou mil pessoas se juntam e pedem a demissão do governo ou a dissolução do Parlamento isso acontecer, significa que nem vale a pena estar a pensar em eleições. Ficaríamos com um país ingovernável, o protótipo de um Estado falhado”, sublinhou.
RAMOS-HORTA NÃO AUTORIZOU
O ministro dos Negócios Estrangeiros e da Defesa, José Ramos-Horta, desmentiu ter autorizado ou proibido a manifestação antigovernamental que ontem decorreu em Díli.
O major Tara, um dos líderes dos militares rebeldes, afirmou que a manifestação fora autorizada por Ramos-Horta no encontro que manteve com os militares descontentes em Gleno, na segunda-feira, mas o gabinete do ministro desmentiu essa informação.
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