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Assad ameaça com mão de ferro

Indiferente à pressão internacional, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, garantiu ontem que o seu regime vai continuar as esmagar a revolta "com mão de ferro" e criticou os esforços da Liga Árabe para tentar resolver o conflito.
11 de Janeiro de 2012 às 01:00
Bashar al-Assad não falava em público desde Junho do ano passado
Bashar al-Assad não falava em público desde Junho do ano passado FOTO: Epa

"A nossa prioridade é restaurar a segurança de que gozámos durante décadas, e isso só poderá ser conseguido esmagando os terroristas com mão de ferro", afirmou Assad na universidade de Damasco, naquele que foi o seu primeiro discurso público desde Junho do ano passado.

Em vez de oferecer concessões ou gestos conciliatórios, o presidente sírio insistiu na ideia de que os responsáveis pelos protestos são "terroristas" instigados por uma "conspiração estrangeira" com a conivência de vários países árabes. "Surpreende-me o facto de os países árabes não apoiarem a Síria", afirmou, numa referência à suspensão do país da Liga Árabe, organização que acusou de "nunca nos últimos 60 anos ter defendido os interesses árabes".

Sobre a sua permanência no poder, Assad foi peremptório: "Não sou pessoa de fugir às minhas responsabilidades. Governo por vontade do povo e deixarei o poder quando o povo o entender", afirmou.

O líder sírio menosprezou ainda as acusações de que mais de cinco mil civis foram mortos desde o início da revolta: "Não dei qualquer ordem para disparar contra civis", assegurou Bashar al-Assad, que anunciou ainda a realização em Março de um referendo sobre a nova Constituição e a realização de "eleições multipartidárias" em Maio ou Junho.

ISRAEL PREPARADO PARA RECEBER REFUGIADOS SÍRIOS

O governo israelita está a preparar planos de contingência para a eventualidade de a queda de Assad gerar uma vaga de refugiados sírios nos Montes Golã. "Assad não pode ficar agarrado ao poder para sempre. Não é como Kadhafi, dos que lutam até à última bala", afirmou o Chefe do Estado-Maior israelita, Benny Gantz. Israel acredita que a queda de Assad levará milhares de alauítas – minoria religiosa a que pertence o presidente – a fugir para os Golã, ocupados por Israel em 1967.

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