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Correio da Manhã

Mundo
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ASSALTO A HOSPITAL

Pelo menos um polícia saudita e três terroristas foram ontem mortos num tiroteio no hospital Rei Fahd, na localidade saudita de Jizan.
24 de Setembro de 2003 às 00:00
Os atentados de Maio, em Riade, despertaram a Arábia Saudita para a guerra ao terrorismo
Os atentados de Maio, em Riade, despertaram a Arábia Saudita para a guerra ao terrorismo FOTO: Reuters
O incidente ocorreu depois de um grupo de homens armados entrar em fuga após uma busca da Polícia numa quinta, nos arredores daquela cidade do Sul da Arábia Saudita. Trata-se do último de uma onda de incidentes violentos envolvendo alegados membros da rede terrorista al-Qaeda.
Segundo um comunicado oficial do Ministério do Interior, lido na televisão do Estado, cinco militantes estiveram envolvidos no incidente, no qual resultaram ainda feridos pelo menos cinco polícias. Quanto aos reféns, o Ministério afirma que foram libertados sem ferimentos.
A batalha começou quando a Polícia, empenhada no desmantelamento das bases sauditas da al-Qaeda, cercou uma quinta junto a Jizan, cerca de 800 km a sul da capital saudita, Riade. O objectivo era deter suspeitos identificados como terroristas. Alguns destes lograram escapar e refugiaram-se no hospital, onde fizeram várias pessoas reféns.
Cercados, "dois dos terroristas renderam-se enquanto três outros foram abatidos", afirma a declaração oficial, segundo a qual os militantes "foram instados a render-se mas começaram a disparar".
O texto afirma ainda que os assaltantes "pretendiam levar a cabo acções terroristas e estavam armados de metralhadoras e granadas de mão".
O comunicado oficial não o refere, mas segundo a cadeia de televisão árabe Al-Arabiya, os suspeitos tomaram em seu poder médicos e enfermeiras estrangeiros, levando-os pa- ra o terraço do hospital. Testemunhas afirmam, no entanto, que os reféns foram levados para uma ala do edifício, onde a rendição de dois militantes e o tiroteio final teriam tido lugar.
Reagindo ao incidente, o embaixador saudita em Lisboa, Mohamed al-Rashid, considerou que ocorrências como esta "acontecem hoje em dia em muitos outros países, e já antes houve episódios se- melhantes na Arábia Saudita".
Um responsável saudita afirmou sob anonimato que um dos assaltantes que se rendeu é um árabe saudita que estava numa lista de 19 terroristas procurados. Esta lista foi, curiosamente, elaborada no início de Maio, antes dos atentados suicidas de Riade, que causaram a morte a 26 pessoas, bem como aos nove atacantes. Atribuído à rede terrorista de Osama bin Laden, o ataque visou três edifícios habitados na sua maioria por cidadãos estrangeiros. Entre as vítimas estavam, recorde-se, americanos, britânicos, filipinos e jordanos.
As autoridades sauditas deram início nessa altura a uma mega- -operação contra a al-Qaeda, no âmbito da qual foram detidas 200 pessoas.
Saliente-se que a província de Jizan, onde teve lugar o tiroteio de ontem, é a província natal de 15 dos terroristas que participaram no 11 de Setembro.
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