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Correio da Manhã

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Assédio sexual trama político

O secretário de Estado da Função Pública de França, Georges Tron, demitiu-se ontem do cargo devido às acusações de assédio sexual de que é alvo por parte de duas ex-funcionárias municipais.

30 de Maio de 2011 às 00:30
Ex-funcionárias dizem que Tron se ofereceu para lhes fazer massagens
Ex-funcionárias dizem que Tron se ofereceu para lhes fazer massagens FOTO: Vincent Kessler/Reuters

"O senhor Georges Tron informou hoje [ontem] o primeiro-ministro François Fillon da sua demissão", lê-se num breve comunicado emitido pelo gabinete do chefe do governo. Tron, de 53 anos, será substituído por François Baroin, ministro do Orçamento e porta--voz do executivo. O político, também presidente da Câmara de Draveil, a sul de Paris, foi acusado de ter assediado sexualmente, entre 2007 e 2010, duas ex-funcionárias municipais, de 34 e 36 anos. A denúncia partiu das próprias vítimas.

Uma das ex-funcionárias afirma ter sido encorajada a falar na sequência do mediático caso de Dominique Strauss--Kahn, ex-patrão do FMI, em prisão domiciliária por tentativa de violação de uma empregada da limpeza num hotel de Nova Iorque. "Quando vi que uma simples empregada era capaz de agir contra Strauss-Kahn, disse a mim mesma que não podia permanecer em silêncio", afirmou a alegada vítima ao ‘Le Parisien’. As mulheres alegam que Tron, adepto da reflexologia, se ofereceu para lhes massajar os pés, mas terá tentado ir mais além.

O Ministério Público abriu já um inquérito formal. Tron nega as "incríveis" acusações e informou que as funcionárias procuram vingar--se por terem sido despedidas. Anunciou ainda que vai apresentar queixa por difamação.

VÍTIMA DE DSK "MARCADA"

Um irmão de Nafissattou Diallo, a empregada do Hotel Sofitel de Nova Iorque alegadamente violada por Dominique Strauss-Kahn, ex--director-geral do FMI, disse ontem ao ‘Mail on Sunday’ que a irmã ficou profundamente abalada com o sucedido e que a sua vida ficou "marcada para sempre". O irmão, residente na Guiné-Conacri, disse ao jornal - que publicou uma foto pixelizada da vítima - que Nafissattou, de 32 anos, foi para a América para trabalhar e procurar uma vida melhor para ela e para a filha, de 16 anos. "Estamos todos a sofrer muito com o que aconteceu à nossa amorosa e inocente irmã", referiu o homem, um empresário de 53 anos. "Nada ficará igual depois disto. Há pessoas em todo o Mundo que a acusam de chantagem ou provocação. Tem sido vergonhosamente tratada", acrescentou.

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