Em causa estão 10 contentores, 7 saídos de Lisboa e 3 do Porto de Leixões.
A Associação Amigos da Diáspora e os Emigrantes Madeirenses (AADEM) anunciou esta segunda-feira que prevê distribuir a luso-venezuelanos afetados pelo duplo sismo de agosto, nas próximas semanas, 240 toneladas de ajuda humanitária angariada em Portugal.
O anúncio foi feito pelo presidente da AADEM, Moisés Rodrigues, que se encontra em Caracas a tratar do processo de desalfandegamento da ajuda e a verificar a capacidade das associações portugueses locais para a receber.
"O objetivo desta vinda à Venezuela, é, em representação do conjunto das associações que fizemos para a colheita da ajuda humanitária, desde as ilhas ao continente, fazer a entrega oficial dos contentores de ajuda humanitária", disse à Agência Lusa.
Segundo Moisés Rodrigues, "no total, são 10 contentores, 7 saídos de Lisboa e 3 do Porto de Leixões, com uma carga total de 240 toneladas".
"Quatro já se encontram em território venezuelano, dois em processo de alfândega, para serem libertados, e os outros dois deverão estar disponíveis já na próxima semana", disse.
Rodrigues explicou ainda que se trata de ajuda humanitária recolhida pela sociedade civil em Portugal, por venezuelanos e lusodescendentes "que sentiram na pele, a dor do que aconteceu na Venezuela".
"Nestes contentores temos alimentos, medicamentos, insumos médicos, desde máscaras, luvas, batas, material cirúrgico, fraldas para bebés e adultos, e artigos de uso pessoal", precisou, sublinhando que a angariação foi feita sabendo que a entrega demoraria algum tempo a chegar à Venezuela, porque o envio seria por via marítima devido a questões de logística internacional.
A entrega inicial, disse, será feita a dez instituições locais, entre elas a Sociedade de Beneficência de Damas Portuguesas, o Lar da Terceira Idade Padre Joaquim Ferreira, o Lar Geriátrico de Maracay, a "Regala Una Sonrisa" (Oferece um sorriso), as Peregrinas de El Junquito, a Venexos, a Consulta Salud (Saúde) e a Ajuda-Caritativa.
Entretanto, já foram feitos contatos com associações nas cidades de Los Teques e Valência, além da Cáritas Valência e da Cáritas Caracas, que vão receber a segunda remessa de ajuda humanitária.
"Nesta primeira fase, as organizações já contactadas vão receber entre 10 a 15 paletes cada uma e, por isso, foi importante determinar qual a capacidade instalada de cada uma delas", frisou.
Por outro lado, explicou que a AADEM pondera também, no futuro, apoiar monetariamente várias instituições na Venezuela.
Moisés Rodrigues anunciou ainda que, para angariar fundos, a AADEM e outras associações estão a promover, na Madeira, uma festa gastronómica venezuelana a decorrer entre 18 e 20 de setembro, que será transmitida pelo canal "Na minha Terra TV" através da Internet. Estão ainda agendadas várias atividades a relizar no continente entre outubro e novembro próximos.
A AADEM está, finalmente, a vender rifas para financiar o envio, para a Venezuela, de 27 toneladas de medicamentos que foram doados em Portugal continental, anunciou.
O presidente da AADEM lamenta que a situação na Venezuela esteja a deixar de ser notícia e insiste que, internacionalmente, "as pessoas não têm noção do que realmente aconteceu" no país.
"Quem conheceu La Guaira, antes do sismo, ao vê-la agora, recebe um choque emocional e visual muito grande. O cenário de destruição é muito forte, maior do que se pode ver na televisão; só quem está no terreno consegue ver a realidade", disse.
O duplo sismo de 24 de junho causou danos graves em infraestruturas, feridos e vítimas mortais em sete estados da Venezuela: Caracas, Miranda, Arágua, Carabobo, Lara, Yaracuy e La Guaira, este último o mais afetado.
Segundo o último balanço atualizado divulgado pelas autoridades, 6.509 pessoas morreram e 226.696 feridos foram assistidos nos hospitais venezuelanos depois dos sismos.
Entre as vítimas mortais, há pelo menos 138 portugueses e lusodescendentes.
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