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Correio da Manhã

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Ataque contra força de elite de Teerão

Um atentado sem precedentes no Irão matou ontem pelo menos 11 pessoas na cidade de Zahedan, junto à linha de fronteira com o Paquistão e o Afeganistão. Um carro armadilhado bloqueou a passagem de um autocarro da Guarda Revolucionária e explodiu pouco depois.
15 de Fevereiro de 2007 às 00:00
O autocarro da Guarda Revolucionária ficou totalmente destruído pela violência da explosão.
O autocarro da Guarda Revolucionária ficou totalmente destruído pela violência da explosão. FOTO: Irna / Reuters
O comandante militar Qassim Rezai classificou o ataque de “terrorismo” e a agência noticiosa Fars atribuiu a responsabilidade ao grupo sunita radical Jundollah (Soldados de Deus), liderado por Abdolmalek Rigi e alegadamente apoiado pela al-Qaeda. Os analistas consideram inédito no Irão um ataque desta violência, visando uma força de elite em pleno dia e num local público.
A bomba estava escondida num carro que ultrapassou a viatura militar e parou pouco depois, bloqueando a sua passagem. Os ocupantes saíram e explicaram que tinham uma avaria. Nesse momento surgiram cúmplices em motorizadas que os recolheram antes de a bomba explodir, provavelmente accionada por controlo remoto.
Os líderes religiosos reagiram ao ataque instando os iranianos – na sua esmagadora maioria xiitas, os sunitas são menos de 10% dos 70 milhões de habitantes do país – a não culparem os sunitas. Os responsáveis iranianos temem uma onda de violência sectária como a que tem varrido o vizinho Iraque.
Algumas fontes afirmam que foram detidos cinco suspeitos, entre eles dois dos responsáveis do ataque, alegadamente apanhados por um grupo de transeuntes.
Saliente-se que Zahedan, no Sudoeste do país, tem sido palco de inúmeros incidentes nos últimos dois meses, nos quais foram mortos polícias e militares.
Segundo Hassan Ali Nouri, governador da província de Sistão-Baluquistão, um dos autores do atentado está entre as vítimas da explosão, cujo número exacto nenhuma fonte oficial confirmou.
Foram, entretanto, enforcados três homens acusados de tomar parte numa série de atentados na cidade de Ahvaz, em 2005. Os executados foram os últimos de um total de dez enforcados nos últimos meses naquela cidade.
GENERAL NEGA ENVIO DE ARMAS
O general Peter Pace, comandante do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, pôs em dúvida a ligação de Teerão ao tráfico de armas para o Iraque. “É claro que há iranianos envolvidos e que há materiais [militares] do Irão [...], mas, pelo que sabemos, não se pode afirmar que o governo seja cúmplice”, afirmou Pace. Palavras que contrariam alegações de militares no terreno e põem em causa a Casa Branca, mas Tony Snow, porta-voz de Bush, nega esta leitura. “Ele diz que as armas existem, certo? E não há dúvida de que há iranianos no Iraque, certo? Por isso onde está o problema?, pergunta Snow.
CRONOLOGIA
- 20/06/94
Uma bomba explode no átrio do templo Imã Reza, na cidade de Mashhad, matando 26 pessoas.
- 02/06/98
Uma explosão mata três pessoas num tribunal revolucionário islâmico em Teerão.
- 16/09/99
Uma bomba escondida num caixote do lixo junto a um templo xiita de Mashhad mata duas pessoas.
- 12/06/05
Uma onda de ataques à bomba em Teerão e em Ahvaz, junto da fronteira com o Iraque, mata nove pessoas.
- 15/10/05
A explosão simultânea de duas bombas num centro comercial de Ahvaz mata seis pessoas.
- 24/01/06
Oito pessoas morrem após dois atentados visando um banco e um edifício do governo em Ahvaz.
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