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Ataque mata dezenas

Pelo menos 35 pessoas, incluindo cinco estrangeiros, morreram ontem no centro de Cabul na sequência da explosão de um autocarro em frente ao principal quartel da polícia. Segundo um porta-voz do Ministério do Interior, grande parte das vítimas são polícias e instrutores da academia de polícia.
18 de Junho de 2007 às 00:00
O autocarro foi parcialmente destruído pela bomba transportada por um suicida
O autocarro foi parcialmente destruído pela bomba transportada por um suicida FOTO: Ahmad Masood / Reuters
Foi o atentado mais mortífero desde a queda do regime integrista taliban (no final de 2001), que já reivindicou mais este ataque.
“Mais de 35 pessoas, civis e oficiais de polícia, morreram e um número indeterminado de pessoas ficaram feridas. Foi obra de terroristas”, disse o chefe da polícia criminal, Alishah Paktiawal, acrescentando que a explosão ficou a dever-se a uma bomba transportada por um suicida.
O veículo ficou completamente destruído com a explosão, que aconteceu em frente ao quartel-general da polícia, numa zona bastante movimentada do centro da cidade. Segundo uma testemunha ocular, o suicida entrou no veículo sem qualquer problema uma vez que este avançava lentamente pelo centro da capital afegã com a porta aberta. Outras fontes do Ministério do Interior afirmaram que cinco das vítimas mortais são estrangeiras: dois japoneses, dois paquistaneses e um sul-coreano. Vários países ocidentais, sobretudo a Alemanha, têm no Afeganistão instrutores a treinar a polícia afegã.
“Foi um ataque pleno de êxito”, afirmou à Reuters via telefone satélite um comandante taliban, o mullah Hayatullah Khan. “Temos muitos planos para levar a cabo mais ataques idênticos”, ameaçou ainda Khan.
O atentado de ontem em Cabul foi o quinto a atingir a capital do Afeganistão em menos de três dias. Aliás, a violência recrudesceu no país nos dois últimos meses. Os combates entre a guerrilha taliban e as forças ocidentais e afegãs são constantes e desde o início deste ano já morreram mais de duas mil pessoas, sobretudo civis. Os taliban têm reivindicado todos os atentados suicidas, no que aparenta ser uma aposta idêntica à estratégia dos rebeldes no Iraque.
PORTUGUESES FORA DE PERIGO
Os militares portugueses destacados no Afeganistão nada sofreram na sequência do atentado ocorrido ontem em Cabul, capital do país, nem tão pouco no ataque, também ontem, em Kandahar, que vitimou três soldados da força multinacional que seguiam num veículo militar que pisou uma mina. O porta-voz do Estado Maior General das Forças Armadas, comandante Carmona, adiantou ao Correio da Manhã que “em Cabul os militares portugueses não foram apanhados pelo atentado” e “também não foram vítimas do engenho explosivo em Kandahar”. O grosso dos 150 comandos que se encontrava em Kandahar já regressou a Cabul e amanhã todos os militares lusos, que estão às ordens da força internacional da NATO, estarão concentrados na capital do país. Recorde-se que no passado dia 7 uma emboscada em Kandahar provocou escoriações em dois militares lusos. Em Maio, também em Kandahar, o primeiro sargento Carlos Barry foi ferido por um estilhaço, e, em Novembro de 2005, uma explosão provocou a morte do sargento Roma Pereira, em Cabul. Portugal tem no Afeganistão 150 comandos da Brigada de Reacção Rápida do Exército, cinco oficiais do Quartel General e sete controladores da Força Aérea.
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