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Correio da Manhã

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Atentado mata ex-primeiro-ministro libanês

O ex-primeiro-ministro do Líbano, Rafik al-Hariri, foi morto esta segunda-feira, vítima da violenta explosão de um carro armadilhado à passagem da sua caravana automóvel na marginal de Beirute, próximo do Hotel St. George. O atentado provocou pelo menos outras dez vítimas mortais e igual número de feridos, algumas das quais guarda-costas do ex-governante.
14 de Fevereiro de 2005 às 12:42
Foi, talvez, a maior bomba a explodir na capital do Líbano desde o fim da guerra civil em 1990. A explosão foi ouvida nos subúrbios de Beirute e estilhaçou vidros em edifícios a centenas de metros de distância do local da detonação. Meia dúzia de automóveis ficaram totalmente destruídos e a Marginal Corniche ficou parcialmente coberta por destroços e envolta numa nuvem de fumo preto.
Rafik al-Hariri, um empresário multimilionário que abandonou a chefia do governo libanês em Outubro do ano passado, aderira recentemente aos apelos da oposição parlamentar para a retirada das tropas sírias do Líbano. A Síria tem mais de 20 mil soldados no Líbano.
O antigo ministro da Economia Basil Fuleihan, que serviu no governo de Hariri, estava na caravana automóvel e foi transportado para o hospital em estado muito crítico.
O ataque foi reivindicado por um elemento de um grupo até agora desconhecido, “Al Nasir e Yihad” (vitória e guerra santa). Um porta-voz deste grupo telefonou para os escritórios em Beirute da cadeia de televisão Al-Jaziira, reivindicando que o mesmo tinha cometido “o justo castigo ao infiel Rafik Hariri”. O mesmo porta-voz disse tratar-se de uma operação de “martírio” pelo apoio do Líbano ao regime saudita, que leva a cabo uma campanha contra a rede terrorista al-Qaeda.
O presidente francês, Jacques Chirac, foi o primeiro grande estadista a reagir ao atentado em Beirute, apelando a que seja aberta uma investigação internacional. Washington reagiu depois, relacionando o atentado com as alegadas actividades terroristas do regime da Síria.
PERFIL
Oriundo de uma família modesta, Rafik Hariri, um muçulmano sunita, emigrou para a Arábia Saudita aos 18 anos, onde enriqueceu no sector da construção.
Com uma fortuna avaliada em 3,8 mil milhões de dólares, regressou ao país que o viu nascer e foi eleito primeiro-ministro, após a sangrenta guerra civil de 1975-1990. Tinha o sonho de construir um país próspero sobre as ruínas da guerra civil, e lutou para restituir a Beirute o seu antigo esplendor, mas a burocracia e corrupção travaram a recuperação económica que tanto desejava.
Liderou cinco governos nos últimos doze anos, acabando por demitir-se em Outubro passado, após divergências com o presidente Émile Lahoud, que pretendia emendar a Constituição para prolongar o seu mandato por mais três anos. Para além destas divergências, já há alguns anos que Hariri vinha advogando a retirada das tropas sírias do país, o que lhe arranjou muitos inimigos em Damasco. Morreu sem ver realizada a sua visão de um Líbano próspero e livre das influências externas.
OUTROS ASSASSÍNIOS POLÍTICOS
JIBRIL
Mohammad Jihad Ahmed Jibril, 41 anos de idade, líder militar da Frente Popular para a Libertação da Palestina - Comando Geral (FPLP-CG) e filho do seu fundador, Ahmed Jibril, morre devido à exploxão de uma bomba colocada no seu automóvel. Foi em Beirute, em Maio de 2002.
HOBEIKA
Também em 2002, mas meses antes, um atentado à bomba matou Elie Hobeika, figura-chave numa das milícias libanesas pró-israelitas envolvidas no massacre de 1982 em dois campos de refugiados em Beirute.
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