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Correio da Manhã

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Ativistas temem que ministro indonésio prejudique relações

Cooperação com Timor-Leste em causa.
2 de Novembro de 2014 às 10:15
Ryamizard Ryacudu é um antigo chefe do Estado Maior do Exército envolvido em polémica
Ryamizard Ryacudu é um antigo chefe do Estado Maior do Exército envolvido em polémica FOTO: Darren Whiteside/Reuters

Organizações não-governamentais (ONG) de direitos humanos receiam que o novo ministro indonésio da Defesa, Ryamizard Ryacudu, um antigo chefe do Estado Maior do Exército envolvido em polémica, prejudique a cooperação entre a Indonésia e Timor-Leste.

Rafendi Djamin, diretor executivo do Grupo de Trabalho dos Direitos Humanos (HRWG, na sigla inglesa), que congrega várias ONG indonésias, alerta que a boa cooperação entre os dois países na área da defesa "tem de ser acompanhada de perto", porque potencialmente Ryamizard Ryacudu "irá interromper essa relação".

Timor-Leste tem cooperado com o país vizinho em várias áreas, incluindo na formação das forças armadas, e comprado material bélico à Indonésia, mas os dois países ainda têm questões fronteiriças terrestres e marítimas por resolver.

"É uma questão de mentalidade, que é difícil de mudar", justifica Rafendi Djamin, esclarecendo que o novo governante "lamenta profundamente" que a antiga província de "Timor-Timur", onde combateu, tenha conquistado a independência e é alguém que receia a "infiltração de interesses estrangeiros" na Indonésia.

John Miller, da Rede de Ação para a Indonésia e Timor-Leste (ETAN, na sigla inglesa), prevê uma cooperação pragmática entre os exércitos dos dois países, embora admita que, se fizesse parte do governo timorense, estaria "um pouco preocupado, não quanto à atitude do presidente, mas em relação à atitude do ministro da Defesa".

O ativista considera que "ter uma boa relação com Timor-Leste é uma forma de o governo indonésio mostrar o quanto eles mudaram", mas lembra que a atividade militar aquando do referendo de 1999, que ditou a independência timorense e que culminou numa onda de violência que fez mil mortos, "não foi algo que o [então] presidente Habibie quisesse".

Ryamizard Ryacudu chefe do Estado Maior do Exército Indonésia
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