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Auditoria ao banco central da Libéria leva a detenção de três ex-responsáveis

Suspeitos arriscam ser acusados de "sabotagem económica" e de "roubo", segundo o jornal liberiano Front Page Africa.

03 de março de 2019 às 17:09

Três ex-dirigentes do banco central da Libéria, detidos após a publicação de uma auditoria que revelou métodos pouco ortodoxos da instituição monetária, comparecem na segunda-feira pela primeira vez perante um juiz.

Charles Sirleaf, que ocupou funções importantes no banco até à sua demissão em agosto e é filho da antiga presidente Ellen Johnson Sirleaf (2006-2018), e Dorbor Hagba, um outro dirigente do banco central, foram detidos na quinta-feira à noite, horas após a divulgação do relatório.

O antigo governador do banco central, Milton Weeks, que se demitiu após a subida ao poder de George Weah em janeiro de 2018, entregou-se à polícia na sexta-feira, de acordo com os 'media' locais.

Os três homens vão comparecer em tribunal na segunda-feira "porque é isso que diz a Constituição", declarou à AFP fonte policial. Segundo a legislação da Libéria, uma pessoa não pode ser detida mais de 72 horas sem autorização do tribunal.

Os três homens podem ser acusados de "sabotagem económica" e de "roubo", segundo o jornal liberiano Front Page Africa.

O documento com os resultados da auditoria, de 68 páginas, resulta de uma investigação feita depois de um contentor com dinheiro impresso no estrangeiro (15 mil milhões de dólares liberianos, o equivalente a 89 milhões de euros) ter alegadamente desaparecido depois de ter entrado no território e antes de chegar aos cofres do banco central.

A polémica começou em maio de 2018, com declarações do ministro da Informação, Lenn Eugene Nagbe, indicando que a nova administração não tinha sido informada da chegada das notas pela presidente cessante, Ellen Johnson Sirleaf.

George Weah, eleito com um programa de luta contra a pobreza e a corrupção, tinha prometido esclarecer este caso, com a ajuda do Governo norte-americano.

A auditoria, que foi feita pela empresa norte-americana Kroll, refere que o contentor não desapareceu, mas salienta a existência de problemas "a todos os níveis do processo de controlo de entradas e saídas de notas" do banco central no período estudado (janeiro de 2016 a dezembro de 2018), o que corresponde aos dois últimos anos da presidência de Sirleaf e início do mandato de George Weah.

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