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Correio da Manhã

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AUMENTA CONTINGENTE MILITAR AFRICANO NO SUDÃO

Uma companhia com cerca de 150 soldados nigerianos viajou esta segunda feira para a província sudanesa do Darfur, a fim de integrar a força multinacional mandatada pela União Africana para proteger os diplomatas que ali fiscalizam um acordo de cessar-fogo. Termina hoje o prazo dado pela ONU ao governo do Sudão para implementar medidas concretas de resolução do conflito naquela região e, segundo um enviado internacional, nada aconteceu.
30 de Agosto de 2004 às 15:41
O contingente militar nigeriano que hoje viajou para o Darfur vai juntar-se aos 155 soldados ruandeses que já estão no teatro de operações. A missão desta força multinacional africana é proteger os representantes da União Africana que estão no terreno a fiscalizar a situação e a tentar dar apoio aos deslocados pela guerra.
Mais de um milhão de sudaneses fugiram de suas casas no Darfur por medo de ataques das milícias árabes Janjaweed, mobilizadas pelo governo do Sudão para combater os rebeldes armados naquela área. O governo sudanês alega que as atrocidades cometidas sobre os civis no Darfur são da responsabilidade de elementos fora da lei. A rebelião começou há 18 meses, após anos de conflito de fraca intensidade entre agricultores africanos e nómadas árabes, e já provocou 50 mil mortos.
A ONU identificou no Darfur a mais grave crise humanitária a nível planetário e impôs um ultimato ao governo do Sudão, concedendo-lhe até ao final do dia de hoje um prazo para encetar medidas concretas de resolução da crise, sob ameaça de sanções internacionais. Sob esta pressão, o governo sudanês iniciou na semana passada conversações com representantes de movimentos rebeldes do Darfur, ainda sem resultados. O diálogo prossegue esta segunda-feira em Abuja, Nigéria, sob mediação de Olusegun Obasanjo, presidente da Nigéria e da União Africana.
Obasanjo está autorizado pelo Parlamento nigeriano a enviar até 2 mil soldados para o Darfur. Este primeiro contingente que hoje viajou para o Sudão tem apenas por missão dar protecção aos representantes da União Africana no local, mas os próximos poderão ser autorizados a desarmar rebeldes. O governo sudanês admite essa possibilidade, mas insiste em como não são necessários soldados estrangeiros para proteger a população civil do Darfur.
Dennis McNamara, conselheiro especial ao serviço do programa da ONU para ajuda aos deslocados pela guerra, declarou esta segunda-feira que o governo sudanês ainda nada fez para resolver a crise bélica e humanitária no Darfur, garantindo que os ataques contra civis não pararam. O embaixador do Sudão no Reino Unido desmentiu esta versão, contrapondo que as medidas já adoptadas pelo seu governo demoram tempo a ter resultados visíveis. Mas tempo, precisamente, é um luxo que a população civil do Darfur não tem... tal como o próprio governo sudanês, que esta noite tem de prestar contas ao Conselho de Segurança da ONU.
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