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Correio da Manhã

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Autarca em Tribunal por recusar boda

Um presidente de câmara francês vai ser julgado por ter recusado casar um imigrante ilegal tunisino com uma francesa. Jacques Senequier, presidente da cidade de Cogolin, recusou oficiar a cerimónia depois de insinuar que se tratava de um casamento de conveniência.
13 de Setembro de 2006 às 00:00
“Por um lado dizem-me para combater a imigração ilegal e por outro pedem-me para casar pessoas em situação irregular. É anormal e incompreensível”, afirmou Senequier.
A perplexidade do presidente tem uma certa razão de ser. É que Senequier é membro da UMP (União para um Movimento Popular), partido liderado pelo ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, que este ano adoptou medidas duras contra a imigração ilegal que levaram à expulsão de milhares de famílias.
O presidente da Câmara, cujo comportamento foi denunciado pelo casal, vai hoje a Tribunal e se o juiz considerar que faltou aos seus deveres ao recusar oficiar a cerimónia pode condená-lo a pagar uma indemnização aos queixosos e forçá-lo a realizar o casamento.
O advogado de defesa do casal – Mohamed e Jennifer – lembrou que a atitude de Senequier não é legal. “A liberdade de casar não depende da posse de papéis de residência”, afirmou Jamel Guesmi, negando ainda que se tratasse de um casamento de conveniência. Guesmi assegura que o casal partilha a mesma casa e terá em breve um filho.
Mohamed foi para França em 2003 com um visto de estudante e ficou no país depois de este expirar. Tentou obter visto de residência, mas não conseguiu.
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