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Correio da Manhã

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Autoridades alemãs investigam 20 alegados espiões turcos

Suspeitos são também acusados de estar por trás do golpe de Estado de julho do ano passado.
6 de Abril de 2017 às 11:58
Polícia alemã
Polícia alemã FOTO: Getty
As autoridades alemães estão a investigar 20 cidadãos turcos presumivelmente envolvidos em atividades de espionagem contra seguidores de Fethullah Güllen, que Ancara acusa de estar por trás do golpe de Estado de julho do ano passado.

Segundo uma nota do governo alemão, entre os suspeitos figuram agentes dos serviços discretos turcos como a União turco-islâmica de Assuntos Religiosos, segundo o diário Die Welt.

De acordo com o jornal, a investigação é dirigida a 20 acusados, conhecidos das autoridades alemãs e serão simpatizantes do movimento Gullen.

As autoridades alemãs revistaram esta semana os apartamentos de quatro religiosos turcos suspeitos de terem espiado, por ordem de Ancara, diversos apoiantes do predicador Fethullah Güllen, acusado pela Turquia de ter fomentado o fracassado golpe militar de 15 de julho.

De acordo com os órgãos de comunicação social alemães, os religiosos são membros do Ditib, a principal organização da comunidade muçulmana na Alemanha.

O Ditib é responsável pela gestão de 900 mesquitas ou comunidades na Alemanha. Os seus imãs são funcionários enviados durante três ou quatro anos por Ancara.

Esta ação surge num contexto de fortes tensões entre Berlim e Ancara, com a chanceler alemã a criticar a amplitude das detenções na Turquia após a tentativa de golpe de Estado.

A Turquia deteve mais de 18 mil pessoas durante a tentativa de golpe de Estado atribuída a Gullen, exilado nos Estados Unidos. Desde então, assistiu-se no país a uma onda de repressão que levou Bruxelas a pôr em causa a adesão de Ancara à União Europeia.

No entanto, duas semanas depois do golpe de Estado de 15 de julho, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou que estava a levantar vários processos judiciais contra pessoas que estavam acusadas de o insultar.

Güllen, dirigente de uma irmandade que se opõe ao governo turco desde 2013, e exilado nos Estados Unidos, na Pensilvânia, é acusado por Ancara de ter orquestrado a tentativa de golpe de Estado militar de 15 de julho, assim como de estar implicado na morte do embaixador russo, Andrei Karlov, em dezembro último.

Ancara insistiu por diversas vezes na extradição de Güllen, o que foi sempre ignorado pela anterior administração norte-americana, que remeteu a questão para o foro jurídico.
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