Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
1

Autoridades brasileiras identificam corpo do pesquisador brasileiro desaparecido na Amazónia

Dois cadáveres foram desenterrados de uma cova na margem de um braço do Rio Itaquaí, na região do Vale do Javari.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 18 de Junho de 2022 às 17:57
Dom Phillips  e Bruno Araújo Pereira
Dom Phillips e Bruno Araújo Pereira FOTO: Direitos Reservados

Peritos do Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, a capital federal do Brasil, identificaram este sábado o corpo do pesquisador de povos isolados, Bruno Araújo Pereira, desaparecido e morto na Amazónia no passado dia cinco ao lado do jornalista inglês do The Guardian Dom Philips, cujo corpo tinha sido identificado um dia antes. Os dois corpos foram desenterrados na passada quarta-feira de uma cova na margem de um braço do Rio Itaquaí, na região do Vale do Javari, onde os assassinos, três deles já presos, os tinham sepultado, imaginando que ninguém os encontraria num local tão isolado.

De acordo com o relatório dos peritos divulgado este sábado, Bruno e Dom foram mortos com tiros de caçadeira. O jornalista inglês, detalharam os peritos, foi morto com um único tiro no tórax, e Bruno foi morto com dois tiros no tórax e no abdômen e um no rosto.

Os restos mortais recolhidos no Amazonas estão bastante devastados, tanto por terem ficado enterrados por 10 dias quanto pela acção dos assassinos, e os peritos chegaram a pensar que só através de exames de ADN poderiam ser identificados. No entanto, a identificação foi possível através das arcadas dentárias de ambos.

Dom e Bruno tinham ido a aldeias indígenas isoladas no Vale do Javari, no coração da floresta amazônica, ouvir denúncias de indígenas sobre a actuação de grupos armados na região e a acção de garimpeiros, madeireiros, pescadores e caçadores ilegais. Os dois foram emboscados e mortos num trecho do Rio Itaquaí quando já regressavam de lancha à cidade de Atalaia do Norte, na fronteira entre o Brasil, o Peru e a Colômbia.

Amarildo Costa Oliveira, o primeiro suspeito a ser preso, um pescador ilegal que já tinha sido denunciado por Bruno devido à sua violência, confessou que ele e outros homens mataram o pesquisador e o jornalista e depois queimaram, esquartejaram e enterraram os corpos. Depois dele, a polícia prendeu um irmão, Oseney Costa Oliveira, e este sábado um terceiro suspeito, Jeferson da Silva Lima, entregou-se às autoridades em Atalaia do Norte.
Ver comentários
}