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AVIÃO MILITAR DE VIGILÂNCIA PODE OUVIR NOVO TIRO FATAL

Aviões militares de vigilância, equipados com os meios de detecção capazes de ‘ouvir’ um tiro e de operar noite e dia, vão sobrevoar a cidade de Washington, numa acção de auxílio às autoridades policiais que, por enquanto, continuam com poucas pistas sobre o autor das nove mortes que ameaçam paralisar a capital norte-americana. E, enquanto os satélites dão uma ajuda ainda mais alta, nas ruas já há regras para andar com (alguma) segurança.
18 de Outubro de 2002 às 00:33
“Se operar na frequência correcta, o sistema de detecção a bordo dos aviões pode captar o que for preciso dentro de um determinado raio, até o disparo de uma arma”, explicou ao Correio da Manhã uma fonte da Força Aérea Portuguesa (FA). Além disso, acrescentou, “estas aeronaves estão equipadas com sistemas de infravermelhos muito sofisticados e eficazes na detecção de indivíduos no solo”.

No entanto, a utilização de meios militares como os aviões de reconhecimento RC-7B e U-21 dificilmente poderá impedir novos ataques do ‘Atirador de Washington’. “A grande vantagem será na rapidez de reacção dos agentes no terreno”, adiantou, por seu lado, um responsável do Comando NATO para o Atlântico Sul (SOUTHLANT), que solicitou o anonimato. Para já, o Pentágono não revela como nem quando os aviões começarão a voar.

Ou seja, a partir do momento em que se dá um disparo, o equipamento a bordo do avião permite isolar uma determinada área de terreno e quantificar o número de pessoas e veículos presentes. Recorrendo a imagens de satélite - o que nem sempre é possível por questões técnicas e financeiras- e a especialistas na análise das mesmas, os agentes do FBI em terra podem, depois, tratar cada caso isoladamente.

“A vantagem é a utilização de vários equipamentos de vigilância numa única plataforma”, referiu a fonte da FA. Semelhante a um avião civil, o RC-7B não “dá nas vistas, muito menos em Washington”.

Mas, e apesar de valiosa, a ajuda dos militares é tudo menos pacífica, já que uma Lei de 1878 proíbe o envolvimento directo de militares em acções de policiamento civil. A solução passa por considerar que os aviões, onde estará sempre um agente do FBI, estão “ao serviço” da Polícia civil e que apenas fornecem informações.

Polícia ‘enganada’ e al-Qaeda investigada

A única testemunha que afirmara ter visto o ‘Atirador de Washington’, no momento do seu último crime, negou tudo ontem e poderá agora ser processada pelas autoridades. Sem quaisquer pistas credíveis e mesmo admitindo que o ‘sniper’ não terá ligação a terroristas, alguns investigadores deverão deslocar-se à base militar norte-americana de Guantanamo, em Cuba, para interrogar os alegados membros da al-Qaeda.

“Seríamos criticados se não fosse admitida essa possibilidade, mas não acreditamos numa ligação à al-Qaeda”, afirmou à CNN uma fonte do FBI. A mesma fonte esclareceu que não é hábito um operacional da rede de bin Laden deixar para trás cartas de Tarô, muito menos com as palavras ‘Eu sou deus’.

Para já, os interrogatórios em Cuba serão mais uma frente na investigação, que ontem sofreu forte revés. Isto porque a única testemunha ocular negou o que dissera e poderá agora ser processada por falsas indicações às autoridades.

Polícia aconselha

As autoridades divulgaram no jornal “Washington Post” uma lista de conselhos de segurança à população.

Andar em ziguezague

Manter-se em movimento é fundamental pois um alvo móvel é mais difícil de visar, sobretudo a grande distância, técnica usada pelo “sniper”.

Caminhar em ziguezague e em passadas largas dificulta ainda mais a tarefa do atirador.

Buscar refúgio

Caso fique imóvel, como por exemplo na bomba de gasolina, faça-o entre a bomba e o carro, flectindo os joelhos. Procure as zonas menos iluminadas.

Rolar no chão

Quem for alvejado deve rolar no chão, afastar-se do local e abrigar-se num ponto seguro.
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