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Correio da Manhã

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AVIÃO SEQUESTRADO ASSUSTA FRANKFURT

Um homem aparentemente sofrendo de perturbações mentais apossou-se ontem de um avião ligeiro e ameaçou fazê-lo despenhar contra a sede do Banco Central Europeu, em Frankfurt.
6 de Janeiro de 2003 às 00:00
Durante mais de uma hora o aparelho circulou ameaçadoramente nos céus da capital financeira alemã, mas veio a aterrar em segurança depois de o homem, identificado como Franz-Stefan Strammbach, ter falado ao telefone com o irmão de uma astronauta que morreu em 1986 na explosão do vaivém Challenger.

Strammbach, empunhando uma pistola, apossou-se do monomotor Cessna pouco antes das 16 horas no aeródromo de Babenhausen, situado cerca de 50 quilómetros a sudoeste de Frankfurt.O roubo do aparelho e as posteriores ameaças levaram a Polícia a encerrar preventivamente o aeroporto internacional da cidade e a evacuar os edifícios mais altos.

Milhares de curiosos saíram à rua para presenciar o drama, mas as autoridades evacuaram as ruas e ordenaram aos “mirones” concentrados em algumas pontes próximas para se afastarem. Aviões F-16 alemães e um helicóptero circularam durante algum tempo não longe do Cessna, mas aparentemente sem intenção de o interceptar.

HOMENAGEM A UM ÍDOLO

Depois de aterrar, o estranho sequestrador, que nada indica esteja ligado a uma rede terrorista, afirmou à cadeia de televisão alemã NTV que o seu objectivo era tornar famoso o seu “grande ídolo”.

A Polícia confirmou que o homem, que chegou a afirmar querer suicidar-se, exigiu falar com Charles Resnik, irmão de Judith Resnik, astronauta vitimada pela explosão do Challenger. Fê-lo a partir do avião e pareceu dar-se por satisfeito, pois pouco depois aterrou e foi detido.

“Quero chamar a atenção para a primeira mulher astronauta judia”, afirmou Strammbach à NTV, sem explicar por que motivo escolheu o Banco Central Europeu como alvo e muito menos o que o levou a abandonar o alegado desejo suicida.

Apesar de tudo ter terminado sem problemas, este incidente trouxe à memória imagens de terror, destruição e pânico. Houve mesmo uma altura em que o Cessna, em voo picado, se aproximou perigosamente dos edifícios, para levantar no último momento. Nessa altura todos se lembraram por certo do 11 de Setembro de 2001 e sentiram o temor de que possa um dia repetir-se.
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