Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
4

Aviões da China e EUA protagonizaram aproximação "perigosa"

Incidente aconteceu no Mar do Sul da China.
11 de Fevereiro de 2017 às 08:30
Bandeiras da China e dos EUA, lado a lado em Washington
Bandeiras da China e dos EUA, lado a lado em Washington FOTO: Reuters
Dois aviões de vigilância da China e dos Estados Unidos protagonizaram, esta semana, uma rara e "perigosa", mas "inadvertida" aproximação em pleno voo, perto de uma zona disputada no Mar do Sul da China, informou o Pentágono.

As duas aeronaves ficaram a 300 metros de distância uma da outra na sequência do incidente de quarta-feira ocorrido perto do atol de Scarborough, cuja soberania é disputada pela China e pelas Filipinas, explicou Jeff Davis, porta-voz do Pentágono, na sexta-feira.

O mesmo responsável afirmou que o incidente ocorreu "uma única vez" e que não existe qualquer sinal que aponte que a manobra foi intencional.

"Evidentemente, temos os nossos desencontros com a China sobre a militarização do Mar do Sul da China, relativamente às suas reivindicações de soberania das ilhas e a alguns dos seus objetivos estratégicos mais amplos, mas quando se trata de interações estas devem ser profissionais e seguras", acrescentou.

Pequim reduziu, esta semana, as perspetivas de um conflito com os Estados Unidos por causa do Mar do Sul da China, no seguimento de uma retórica agressiva da Administração norte-americano, dizendo que ambos os lados sairiam perdedores.

O ministro dos Negócios Estrangeiros da China, Wang Yi, disse, durante uma visita à Austrália, que a guerra não iria aproveitar a ninguém.

"Qualquer político em seu juízo perfeito reconhece que não pode haver um conflito entre a China e os EUA", disse em Camberra, citado pela emissora ABC.

Pequim reivindica a soberania sobre quase todo o Mar do Sul da China, com base numa linha que surge nos mapas chineses desde 1940 e tem investido em grandes operações nesta zona, transformando recifes de corais em portos, pistas de aterragem e em outras infraestruturas.

Vietname, Filipinas, Malásia e Taiwan também reivindicam uma parte desta zona, rica em recursos e hidrocarbonetos, o que tem alimentado intensos diferendos territoriais com a China.

O Tribunal Permanente de Arbitragem, com sede em Haia, concluiu, em junho passado, que não existe uma base legal para a China reclamar direitos históricos no Mar do Sul da China, uma decisão que Pequim considera inválida e ilegal e não reconhece.

As ilhas artificiais são consideradas um potencial foco de conflito e comentários recentes do porta-voz da Casa Branca, Sean Spicer, e do secretário de Estado, Rex Tillerson, elevaram a temperatura.

Em janeiro, Spicer afirmou que os Estados Unidos "iriam certificar-se de que os seus interesses eram protegidos" no Mar do Sul da China, enquanto Tillerson afirmou que o acesso da China às ilhas poderia ser bloqueado, elevando as possibilidades de um confronto militar.

O chefe da diplomacia chinesa destacou, por seu lado, que as relações sino-norte-americanas têm sofrido "todas a espécie de dificuldades" ao longo de décadas e, nesse sentido, apontou para declarações recentes do secretário da Defesa, James Mattis, que salientou a importância de dar prioridade aos esforços diplomáticos.
China Estados Unidos Mar do Sul da China Filipinas distúrbios guerras e conflitos política defesa diplomacia
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)