“Estamos onde temos de estar e não vamos abandonar as vítimas do terrorismo à sua sorte, lá ou aqui”. Com estas palavras, o primeiro-ministro espanhol rechaçou frontalmente as vozes críticas que se ergueram após o assassinato de sete ‘espiões’ espanhóis no Iraque. José Maria Aznar só este domingo comentou o incidente e anunciou um dia de luto nacional em Espanha.
A Espanha esteve na primeira linha da guerra ao Iraque desde o primeiro momento e tem actualmente 1.300 soldados em solo iraquiano. Ontem, um grupo de oito agentes do Centro Nacional de Inteligência (CNI, antigo Cesid) foi emboscado perto de Bagdad. O ataque resultou na morte de sete agentes e ferimentos num outro. Os espanhóis choraram a tragédia da morte em terra distante e indignaram-se com as imagens de jovens iraquianos a pontapear os cadáveres calcinados dos ‘espiões’.
Forças políticas mais extremistas, como o partido nacionalista basco PNV e Esquerda Unida exigiram prontamente a demissão do ministro espanhol da Defesa, Federico Trillo, e o regresso imediato a Espanha dos soldados em missão no Iraque. Ás vozes mais extremadas juntou-se um coro de protestos pelo facto de Aznar não ter sido o primeiro a ‘dar a cara’ pelo incidente, deixando que falassem primeiro o ministro Trillo e o seu sucessor na liderança do Partido Popular, Mariano Rajoy, o homem que o vai substituir nas próximas legislativas em Espanha.
Ao princípio desta tarde, quase 24 horas depois de ter sido conhecida a tragédia, Aznar ‘deu a cara’., depois de ter recebido condolências de diversos líderes internacionais, incluindo um telefonema de George W. Bush. O primeiro-ministro espanhol, em declaração institucional, prometeu que a Espanha continuará envolvida no esforço de guerra no Iraque e anunciou um dia de luto nacional, coincidente com a data em que se realizarem os funerais dos sete espiões assassinados, um dos quais era chefe de operações no Iraque.
Os corpos dos agentes Alberto Martínez González, José Merino Oliveira, José Carlos Rodríguez Pérez, José Lucas Egea, Alfonso Vega Calvo, Luis Ignacio Zanón Tarazona e Carlos Baró Ollero chegaram este domingo, ao início da noite, à Base Militar de Torrejón, em Espanha. O ministro Trillo deslocou-se ao Iraque para acompanhar a trasladação dos corpos.
Sob chuva intensa, os féretros, cobertos com a bandeira nacional, foram retirados do Airbus que os transportou desde o Kowait, por entre um cordão formado por elementos da Polícia Militar. Além do ministro Trillo, acompanharam os corpos na viagem de regresso à pátria o director do CNI, Jorge Dezcallar, e o agente ferido no ataque, que desceu do avião pelo seu próprio pé.
Além de familiares e amigos das vítimas, deslocaram-se à base aérea de Torrejón os vice-presidentes do governo, Rodrigo Rato e Javier Arenas, a chefe da diplomacia, Ana Palacio, a presidente da Comunidade de Madrid, Esperanza Aguirre, e as chefias militares. Os corpos foram depois transportados, em cortejo, para o Hospital Central da Defesa, onde permanecerão em câmara ardente.
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