Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo

AZNAR POSTO À PROVA

A Espanha vai hoje às urnas para escolher os representantes municipais e regionais, mas as eleições, rodeadas por grande dispositivo de segurança, são um verdadeiro teste de popularidade, após sete anos no poder, ao Partido Popular (PP) e ao seu líder, o primeiro-ministro José María Aznar.
25 de Maio de 2003 às 00:00
A forma como o governo lidou com a tragédia do naufrágio do ‘Prestige’ e o descontentamento de boa parte dos espanhóis com o apoio de Aznar à guerra no Iraque estiveram no centro da campanha, transformando o escrutínio local num verdadeiro referendo ao governo.
Desde cedo a campanha se tornou rampa de lançamento para as legislativas de 2004. Sinal desse facto foi o protagonismo assumido pelos líderes dos principais partidos, nenhum dos quais é candidato, que centraram as atenções em temas nacionais e na actualidade internacional em detrimento dos temas regionais.
A controvérsia em torno do apoio espanhol à guerra no Iraque foi trazida para as duas semanas de campanha pelos líderes da oposição, José Luis Rodriguéz Zapatero, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), e Gaspar Llamazares, da Esquerda Unida (IU). Para estes líderes, o protagonismo espanhol colocou o país na rota do terrorismo internacional.
Esta polémica, associada ao desgaste de imagem de Aznar após a catástrofe ecológica do ‘Prestige’, deram às eleições municipais e regionais uma relevância inusitada. “Banco de ensaio” para as legislativas, as eleições de hoje deverão revelar uma quebra substancial da votação no PP, augurando o provável fim do “reinado” dos populares.
Zapatero está confiante numa vitória esmagadora nos oito mil municípios e 14 regiões autónomas, e sublinhou-o no comício de quinta-feira em Barcelona, feudo socialista há duas décadas. O líder socialista evocou as eleições municipais de 1995, era então governo o PSOE, e as palavras de Aznar após a vitória esmagadora do PP. "Este resultado tem de servir para mostrar ao governo onde está a porta de saída", afirmou então Aznar. Zapatero pensa poder retribuir hoje o gesto e as palavras, depois de garantir a vitória sobre o PP.
DERRADEIRO DESAFIO
O primeiro-ministro espanhol, José María Aznar, enfrenta nestas eleições locais aquele que poderá ser o seu último desafio eleitoral como líder do PP. De facto, Aznar termina o seu último mandato no próximo ano, não devendo liderar o seu partido na campanha para as legislativas de 2004. Depois do ‘Prestige’ e da querela sobre a guerra no Iraque, resta saber se o sucessor de Aznar tomará as rédeas de um partido poderoso ou de uma formação em “maré baixa”.
ZAPATERO RENOVA PSOE
José Luis Rodríguez Zapatero, líder do PSOE, tem neste escrutínio o seu primeiro grande desafio teste desde que assumiu a chefia do partido, há três anos, batendo na eleição interna três rivais de peso. Admirador confesso do ex-primeiro-ministro Felipe González, Zapatero tenta hoje iniciar a escalada que devolva o poder aos socialistas, pondo fim a um ciclo de governação à direita iniciado em 1996. Nesse ano, a vitória do PP e de Aznar pôs fim a 14 anos de poder do PSOE.
LLAMAZARES O 'VERMELHO'
O líder da Esquerda Unida (IU), Gaspar Llamazares, realizou, tal como Zapatero, a sua primeira campanha desde a nomeação para a chefia da coligação.
A sua estratégia pautou-se por um apelo ao voto tradicional da esquerda mas também aos desiludidos e indecisos. Atacou o governo, sobretudo pelo apoio aos EUA e pelo mau desempenho na tragédia do Prestige, mas demarcou-se igualmente do PSOE, que acusou de ser uma oposição “light”.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)