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Correio da Manhã

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Bahrain e Líbia a ferro e fogo

A onda de revolta que percorre o mundo árabe teve ontem expressão violenta no Bahrain e na Líbia. Neste último país, registaram-se confrontos em pelo menos quatro cidades; no primeiro, pelo menos três pessoas morreram, 200 ficaram feridas e 60 estão desaparecidas após uma carga policial que arrasou o acampamento dos manifestantes.
18 de Fevereiro de 2011 às 00:30
Blindados esmagaram os protestos de Manama, não poupando quem assistia os feridos. As agressões revoltaram os médicos
Blindados esmagaram os protestos de Manama, não poupando quem assistia os feridos. As agressões revoltaram os médicos FOTO: Mazen Mahdi/Epa

"Atacaram-nos às três da manhã", contou Mohamed al Miskati, responsável de uma ONG do país: "Esperaram que estivéssemos a dormir e atacaram. Quando tentámos fugir, usaram balas reais e gás lacrimogéneo, e hoje estão a agredir quem passa na Praça da Pérola".

A violência do raide foi confirmada por médicos do Hospital Salmaniya. "A maioria dos ferimentos são na cabeça", afirmou um deles, enquanto outro, entre soluços, contou: "Havia massa encefálica espalhada no pavimento".

O governo considerou a carga policial necessária para salvar o Bahrain de resvalar "para um abismo sectário". Por seu lado, o rei Hamad bin Issa al Khalifa – que os manifestantes acusam de controlar o executivo – pediu desculpa aos familiares das vítimas.

A violência repetiu-se na Líbia, onde manifestantes incendiaram edifícios do governo em Ar Rajban e Zenten. Registaram-se ainda confrontos em Al Baida e Benghazi. Segundo a oposição, pelo menos 14 pessoas morreram na repressão dos protestos contra o regime de Muammar Kadhafi.

GOVERNO ALERTA PORTUGUESES

O governo português desaconselhou ontem viagens para o Iémen e o Bahrain, devido à instabilidade nos dois países. No Portal das Comunidades Portuguesas, recomenda-se ainda aos cerca de 70 residentes lusos no Bahrain que evitem locais de protestos. Entretanto, o embaixador na Líbia, Rui Aleixo, afirmou que Trípoli, onde vive a maioria dos 170 residentes portugueses, "está totalmente calma".

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