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Correio da Manhã

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Bancário grego suicida-se na Acrópole de Atenas

Um homem de 45 anos, empregado no Banco Agrícola grego (ATE) em processo de reestruturação, suicidou-se e ao saltar do rochedo da Acrópole, disseram fontes policiais citadas pelas agências noticiosas.
28 de Junho de 2012 às 18:02
Homem saltou do rochedo da Acrópole
Homem saltou do rochedo da Acrópole FOTO: Fernando Ferreira / Record

"O homem saltou e caiu sobre o antigo teatro de Dionísio, que fica mesmo em baixo", indicou à agência noticiosa AFO um dos guardas do complexo. "Estava só e tinha o aspecto de uma pessoa perturbada", acrescentou.

O acto registou-se ao início da manhã, um período de afluência turística à histórica região de Atenas. Gravemente ferido na cabeça, o homem foi transferido para um hospital, onde morreu poucas horas depois.

A vítima apresentou-se no trabalho no início da manhã, antes de dizer aos colegas que "ia sair para voltar um pouco mais tarde", de acordo com fonte policial.

A polícia descobriu no corpo uma nota onde estava registado o nome, o que permitiu identificá-lo como funcionário do banco agrícola.

Os suicídios têm registado uma subida alarmante na Grécia. Os estudos referem que nos primeiros cinco meses de 2011 o número de cidadãos gregos que pôs termo à vida registou um aumento de cerca de 40 por cento relativamente ao mesmo período de 2010.

O país, que atravessa o quinto ano consecutivo de recessão, está sujeito a um duro pacote de austeridade imposto pelos credores internacionais e mais de um milhão de pessoas está desempregada, uma taxa que ultrapassa os 50 por cento nos jovens entre os 15 e os 24 anos.

Em 4 de Abril passado, o suicídio em plena praça Syntagma, frente ao parlamento, do farmacêutico aposentado Dimitris Christoulas, de 77 anos, originou uma profunda comoção no país e culminou em violentos confrontos com a polícia de intervenção no centro da capital grega.

Antes de se suicidar, Christoulas terá referido que o acto de desespero se justificava "para não deixar dívidas aos filhos".

Na nota que deixou, comparava ainda o então governo grego de coligação de Lucas Papademos com a administração grega durante a Segunda Guerra Mundial, liderada pelo oficial do exército Georgios Tsolakoglou, que colaborava com os ocupantes nazis.

O ATE, que chumbou por duas vezes o ‘teste de stress’ dos bancos europeus, atravessa um difícil processo de recapitalização e reestruturação antes da abertura ao capital privado, prevista para 2013.

O anúncio dos resultados do primeiro trimestre de 2012, previsto para Maio, foi adiado para o final de Junho para que o banco possa elaborar o plano de reestruturação, que deverá ser anunciado nos próximos dias.

O estado grego detém 76 por cento do ATE, dos quais 23 por cento deverão ser vendidos em 2013, no âmbito do vasto programa de privatizações já a anunciado pelas autoridades e justificado pela necessidade de reduzir a dívida.

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