O presidente líbio, Muammar Khadafi, só aceitou fazer escala em Portugal, a caminho da 64ª Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque, depois de o Estado português lhe ter assegurado uma escapatória em caso de eventual ataque contra si e a sua comitiva. A GNR e a Força Aérea definiram a Base Aérea de Sintra como local de fuga, devido à proximidade do Hotel da Penha Longa ( Sintra), onde o presidente líbio e os numerosos acompanhantes ficaram hospedados.
Há vários meses que o governo líbio tinha reservado o Hotel da Penha Longa como alojamento durante a escala em solo português. Além do espaço para montar a tenda onde normalmente insiste em ficar alojado, Khadafi reservou ainda 90 quartos para os seus acompanhantes. Recorde-se que Khadafi esteve em Portugal em 2007, por ocasião da Cimeira UE-África, tendo ficado também alojado na sua tenda, montada no Forte de São Julião da Barra.
Quanto à segurança da comitiva líbia, apesar de não ter havido um pedido formal ao Estado, foi ordenado à GNR que mantivesse na Penha Longa o mesmo dispositivo constituído para a cimeira militar da NATO que decorreu no passado fim-de-semana naquela unidade hoteleira.
Perto de cem militares, entre patrulheiros, elementos de operações especiais, atiradores furtivos e inactivadores de explosivos, permaneceram em redor da Quinta da Penha Longa. Mesmo assim, Muammar Khadafi só aceitou entrar no hotel de Sintra depois de ter a certeza de que lhe estava assegurada uma rota de fuga em caso de ataque planeado contra a sua comitiva.
“Trata-se de uma exigência que o líder líbio faz em todas as visitas, oficiais ou particulares, que efectua ao estrangeiro”, disse ao CM fonte ligada ao processo.
Face à exigência, o comando da GNR de Lisboa e a Força Aérea consideraram a Base Aérea de Sintra como a escapatória ideal, dado que a proximidade da Penha Longa e os bons acessos viários asseguravam uma fuga rápida, sem previsão de incidentes, ao líder líbio. Khadafi embarcou para Nova Iorque ontem à tarde.
PELA PRIMEIRA VEZ NA ASSEMBLEIA DAS NAÇÕES UNIDAS
O líder líbio está hoje em Nova Iorque para o início dos trabalhos da 64ª Assembleia Geral da ONU. Apesar de estar há 40 anos no poder, é a primeira vez que Muammar Khadafi participa na Assembleia Geral da ONU, e fá-lo agora porque cabe à Líbia a presidência desta 64ª sessão.
O líbio vai discursar hoje logo após o presidente dos EUA, Barack Obama, e estará presente na reunião do Conselho de Segurança sobre a não-proliferação. ONG já anunciaram uma manif contra Khadafi pela libertação do único condenado pelo atentado de Lockerbie.
SAIBA MAIS SANÇÕES
Na década de 90, a Líbia foi alvo das sanções da ONU por apoiar o terrorismo.
40
anos no poder. Muammar Khadafi assumiu o poder 1969, após o derrube da monarquia.
LOCKERBIE
Em 1988, um avião americano cai em Lockerbie devido a uma bomba. O culpado foi um oficial dos Serviços Secretos da Líbia.
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