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Correio da Manhã

Mundo

BEBÉ FABRICADO PARA SALVAR IRMÃO

Uma mulher britânica deu à luz um bebé criado a partir de fertilização in-vitro geneticamente controlada, cujas células do cordão umbilical são a derradeira esperança de sobrevivência para o irmão mais velho, que sofre de uma rara forma de anemia.
19 de Junho de 2003 às 16:52
Charlie segura ao colo o irmão que lhe pode salvar a vida
O nascimento de Jamie numa unidade médica especializada em Chicago, Estados Unidos da América, ocorreu na segunda-feira, mas só hoje foi anunciado. Charlie, o filho de quatro anos de Michelle e Jayson Whitaker, sofre de uma doença rara, cuja única hipótese de cura é o transplante de células indiferenciadas de um dador perfeito. Os Whitaker solicitaram autorização para a manipulação genética de um segundo filho, no Reino Unido, por forma a garantir o nascimento de um dador perfeito. A Autoridade para a Fertilização Humana e Embriologia (HFEA) britânica recusou, alegando que a doença não é de origem hereditária. Um caso idêntico foi recentemente autorizado, por que a doença em causa era de natureza hereditária.
Os Whitaker recorreram então ao Instituto de Genética Reprodutiva, em Chicago, EUA, que já lidou com casos semelhantes. “Tudo o que fizemos foi alterar as probabilidades de um em quatro para 98% de hipóteses de ter um tecido compatível”, comentou o pai. Células indiferenciadas do cordão umbilical de Jamie foram já retiradas e estão a ser analisadas, para avaliar se são compatíveis com os tecidos do seu irmão Charlie. Em caso afirmativo, Charlie será sujeito a transplante e as duas crianças continuarão a sua vida de forma saudável. Caso o resultado das análises seja negativo, Charlie poderá ter perdido a sua última esperança de sobrevivência. E é nesta fronteira ténue que separa a vida da morte de uma criança, que toda a comunidade científica britânica se envolve num intenso debate ético sobre o uso da engenharia genética nos humanos.
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