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Bebé morre em temporal que inunda capital de Cabo Verde

Ao final da manhã, várias ruas permaneciam intransitáveis, sobretudo nas zonas mais baixas da cidade.
Lusa 12 de Setembro de 2020 às 16:23
Cidade da Praia
Cidade da Praia FOTO: Getty Images
As fortes chuvas que caem desde a última madrugada na Praia provocaram a morte de um bebé, várias cheias, desmoronamentos e destruição de viaturas e edifícios, segundo a proteção civil.

Ao final da manhã, várias ruas permaneciam intransitáveis, sobretudo nas zonas mais baixas da cidade, com centenas de populares a concentrarem-se no exterior, com estruturas e vias de comunicação em risco.

Segundo o presidente do Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros, Renaldo Rodrigues, numa das enxurradas morreu um bebé de seis meses, que se encontrava em casa com a mãe e um irmão.

As cheias afetam os bairros do Paiol, Lém Cachorro, Calabaceira e Pensamento, na Praia, mas também noutros pontos da ilha de Santiago.

"Não diria que a situação é caótica, mas que inspira alguns cuidados. Temos dezenas de pessoas em zonas de risco, em várias localidades, que têm de ser realojadas de imediato", descreveu à Lusa Renaldo Rodrigues.

Numa ronda feita pela Lusa durante a manhã, os relatos populares foram coincidentes com um temporal nunca visto em largos anos na capital cabo-verdiana.

"Na Praia nunca tinha visto, no interior de Santiago sim", explicou José Rodrigues, 40 anos.

"Isto põe a nu a falta de planificação na Praia", criticou.

Na mesma linha, José do Canto, de 58 anos, confessava um cenário inédito ao observar a destruição na Praia: "Muitas casas derrubadas, muitas pessoas com problemas para tirar a água das casas. Nunca vi um temporal destes".

Entretanto, algumas embaixadas apelaram aos respetivos cidadãos que se encontram na Praia para se protegerem nas próximas horas, evitando deslocações desnecessárias.

O arquipélago de Cabo Verde está desde a última madrugada sob a influência de uma onda tropical que poderá transformar-se em depressão tropical, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG).

As previsões apontam que a onda tropical atinja o país até segunda-feira, estando associada a uma larga área de convecção produzindo aguaceiros e trovoada.

O instituto cabo-verdiano adiantou que o sistema está localizado junto à costa da Guiné Bissau, desloca-se com uma velocidade de 30 km/h e tem cerca de 70% de probabilidade de se transformar em uma depressão tropical.

"Durante a sua passagem condicionará o estado do tempo nas ilhas", referiu o INMG, que prevê ainda chuvas de intensidade variável e possibilidade de trovoadas, intensificação do vento e agravamento significativo do estado do mar.

"O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica, INMG fará o acompanhamento permanente do sistema, a sua vigilância e monitorização, atualizando as informações do estado do tempo, de forma regular e contínua", garantiu a entidade cabo-verdiana.

Já na passada segunda-feira e terça-feira uma depressão tropical aproximou-se de Cabo Verde e transformou-se em tempestade tropical, com vento e chuvas fortes, sobretudo nas ilhas a norte do arquipélago.

Na quarta-feira, o ministro da Agricultura cabo-verdiano, Gilberto Silva, disse que as chuvas que caíram no início da semana em todo o arquipélago já garantem pasto, mas afirmou que ainda é preciso mais para produção de milho e feijões e recarga dos lençóis freáticos.

Depois de três anos consecutivos de seca, com chuvas irregulares e insuficientes, desde meados de julho que a chuva voltou a cair com alguma frequência em algumas ilhas de Cabo Verde.

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