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Correio da Manhã

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Bebés prematuros à beira da morte

No meio do caos, o único hospital de Tacloban que resistiu ao supertufão ‘Haiyan' tenta salvar recém-nascidos sem medicamentos, luz ou víveres
14 de Novembro de 2013 às 15:11
Capela de um hospital em Tacloban foi adaptada para receber bebés.
Capela de um hospital em Tacloban foi adaptada para receber bebés. FOTO: John Javellana /Reuters, D.R.

No meio do caos e do desespero que se vive em Tacloban, uma das cidades mais duramente atingidas pelo tufão ‘Haiyan', 8 bebés prematuros lutam pela vida na capela do único hospital público que resistiu à destruição, sem medicamentos, água nem comida. A pressão da fome está a aumentar os casos de saques a lojas e casas e, num desses assaltos, 8 pessoas morreram esmagadas em Alangalang .

O mais jovem dos prematuros nasceu dois dias depois de o tufão arrasar a região central das Filipinas e só sobrevive porque a avó, esgotada pela sede e pela fome, bombeia ar para dentro dos seus pulmões. Dos oito, apenas um - de cabeça deformada pelo fórceps usado para o retirar do ventre materno - tem força para chorar. Os restantes quase não se movem. "Receio que contraiam infeções hospitalares", referiu o médico Alberto Léon: "Os cadáveres podem ser fonte de contágio".

A maioria dos 80 bebés nascidos na cidade desde o tufão são prematuros, pois as mães entraram em trabalho de parto devido ao trauma.

A falta de víveres, agravada pelas inundações trazidas por uma nova intempérie, está a desencadear saques e lutas entre grupos organizados, enquanto sobreviventes desesperados rebentam canalizações para conseguir água. "Não sei se é de confiança, temos de a ferver, mas é melhor que nada", afirmou Christopher Dorano, de 38 anos.

Num dos saques, na cidade de Alangalang, centenas de pessoas forçaram a entrada num armazém de arroz e causaram a derrocada de uma parede, que esmagou oito pessoas.

As caravanas de ajuda humanitária são também alvo de assaltos. O Novo Exército do Povo, fação armada do Partido Comunista filipino, participa nos ataques. Junto a Matnog, cidade portuária da ilha de Luzon, dois rebeldes foram mortos pelas forças da ordem quando tentavam apossar-se de veículos da Cruz Vermelha.

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