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Beleza encarcerada

Há 12 anos, quando foi eleita miss Dakota do Norte, Roxana Saberi disse que o seu sonho era encorajar as outras pessoas a apreciarem as diferenças culturais. Por isso, após formar-se em Jornalismo partiu para o Irão em busca das suas origens. Agora, sem que se saiba muito bem porquê, está presa numa cadeia de tenebrosa reputação, condenada a oito anos de prisão por ‘espionagem’. Há quem diga que Roxana é apenas um peão num jogo político com o qual nada tem a ver.
25 de Abril de 2009 às 00:30
Beleza encarcerada
Beleza encarcerada FOTO: Stringer/Iran/Reuters

Quando foi detida, no início de Fevereiro, foi acusada de comprar vinho no mercado negro – um crime no Irão, onde a consumo e venda de álcool são rigorosamente proibidos. Pouco depois, a acusação passou a ser de exercício da actividade de jornalista sem a devida acreditação. Praticamente em cima da data do julgamento, a acusação foi novamente alterada: de um momento para outro, passou a ser acusa da espionagem a favor dos EUA, crime passível de pena de morte. A 18 de Abril, num julgamento sumário que durou menos de uma hora, foi condenada a oito anos de cadeia.

Nascida nos EUA, filha de pai iraniano e de mãe japonesa, cedo se destacou pela exótica beleza. Foi miss Dakota do Norte e esteve entre as dez finalistas do concurso Miss América em 1997, mas não deixou que a beleza lhe subisse à cabeça. Enquanto as amigas se preocupavam mais com a maquilhagem e com os namorados, ela preferia esfolar as canelas a jogar futebol e queimar as pestanas a estudar. Formou-se em Jornalismo e Relações Internacionais e, aos 25 anos, ignorando os conselhos da família, decidiu partir para o Irão para aprofundar os estudos e recolher material para escrever um livro sobre os costumes do país do seu pai.

Quem a conhece diz que a jovem de 31 anos nada tem de Mata Hari, tirando a beleza. Uma jornalista que trabalhou com ela em Teerão aponta a incongruência das acusações: 'Como é que a CIA ia enviar uma mulher que tem fotografias suas em biquíni na internet espiar para uma país islâmico conservador como o Irão?'

A imprensa dos EUA avança com duas possíveis explicações para a detenção: uma delas é que seria para servir de moeda de troca por três diplomatas iranianos detidos pelos EUA no Iraque; a outra, e mais provável, é que se trata de uma manobra dos conservadores para sabotarem as tentativas de aproximação de Barack Obama ao Irão. Para Saberi, é igual. A única coisa que sabe é que está numa das mais infames cadeias iranianas, impedida de ver a família e com contacto limitado com o seu advogado. Desesperada, Roxana Saberi entrou em greve de fome.

AHMADINEJAD SAI EM SUA DEFESA

Inesperadamente, um dia depois de Roxana Saberi ter sido condenada pelo Tribunal da Revolução de Teerão, o presidente iraniano saiu em sua defesa, ordenando que fosse respeitada a legalidade do processo jurídico e que a jornalista tivesse direito a recorrer da sentença, coisa rara em casos de segurança nacional. Para os analistas, é a prova de que até os conservadores iranianos estão divididos.

A FIGURA

Filha de pai iraniano e de mãe japonesa, Roxana saberi nasceu e cresceu em Fargo, no Dakota do Norte. Estudou Jornalismo e Relações Internacionais, trabalhando como jornalista freelance antes de partir para o Irão. Ali foi correspondente de vários jornais e rádios, incluindo a BBC, até ser detida no início de Fevereiro.

 

 

 

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