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Correio da Manhã

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Bento XVI acusado de proteger pedófilos em relatório da diocese de Munique

Antigo Papa é implicado no encobrimento de abusos de quatro sacerdotes.
Francisco J. Gonçalves 21 de Janeiro de 2022 às 08:35
O Papa emérito tem negado repetidamente qualquer envolvimento em atos de proteção a sacerdotes implicados em abusos sexuais de menores
O Papa emérito tem negado repetidamente qualquer envolvimento em atos de proteção a sacerdotes implicados em abusos sexuais de menores FOTO: Reuters
O Papa Bento XVI, Papa emérito desde que resignou, em 2013, encobriu quatro sacerdotes que cometeram abusos sexuais quando era arcebispo de Munique, entre 1977 e 1982. As conclusões constam de uma nova investigação levada a cabo por uma firma de advogados a pedido da arquidiocese daquela cidade alemã.

O relatório esta quinta-feira revelado frisa que o então arcebispo Joseph Ratzinger nega as acusações, mas ao mesmo tempo divulga documentos que indiciam a cumplicidade efetiva dele na proteção aos abusadores. “Pensamos que pode ser acusado de conduta imprópria em quatro casos, dois dos quais referentes a abusos cometidos durante o seu mandato e sancionados pelo Estado. Em ambos os casos, os perpetradores continuaram ativos e com funções pastorais”, referiu Martin Pusch, da firma de advogados Westpfahl Spilker Wastl.

As acusações a Ratzinger colidem frontalmente com os reiterados desmentidos que tem feito. Em 2013, depois de resignar, escreveu: “No respeitante aos abusos morais de menores perpetrados por sacerdotes, só posso dizer que lamento com profunda consternação, mas eu nunca tentei encobrir essas coisas.”

Um dos casos agora denunciados envolve a transferência do padre Peter H. de Essen para Munique. O padre teria abusado de menores na diocese de origem e voltou a cometer abusos já em Munique, sendo julgado e condenado judicialmente por isso. Ainda assim, Ratzinger nada fez e menorizou o caso, dizendo que o sacerdote era um mero exibicionista.

O relatório sublinha que o então arcebispo de Munique não só não moveu processos contra os abusadores ao abrigo do Direito Canónico, como não mostrou também qualquer interesse em socorrer as vítimas.

Em comunicado, o Vaticano afirmou que esperará a publicação integral do relatório antes de comentar.

pormenores
Centenas de casos
Em mais de 1700 páginas de conclusões de investigação, os advogados enumeram 497 casos de abusos sexuais a menores na Diocese de Munique, entre 1945 e 2019. Os autores dos abusos são 235, entre eles 173 sacerdotes. As vítimas terão sido 247 do sexo masculino e 182 de sexo feminino, com idades entre os 8 e os 14 anos.

Proteger os culpados
Dos 173 sacerdotes abusadores, 40 foram reintegrados em funções pastorais depois de se saber dos seus delitos, tendo 18 sido reintegrados depois de serem julgados e condenados.
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