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Berlusconi perde bastião de Milão

O primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, sofreu ontem a sua primeira grande derrota eleitoral dos últimos anos, ao perder a Câmara de Milão – sua cidadão natal e capital do seu império financeiro – na segunda volta das eleições locais e regionais. Uma derrota amarga, agravada pelo facto de o próprio Berlusconi ter descrito esta votação como um referendo à sua popularidade e às políticas do seu governo.
31 de Maio de 2011 às 00:30
Berlusconi sofreu uma derrota humilhante em Milão, bastião do centro-direita e capital do seu império mediático e financeiro. Governo pode estar em risco
Berlusconi sofreu uma derrota humilhante em Milão, bastião do centro-direita e capital do seu império mediático e financeiro. Governo pode estar em risco FOTO: Paolo Bona/Reuters

Depois de o centro-direita ter perdido na primeira volta as importantes câmaras de Turim e Bolonha, as atenções estavam agora viradas para Milão e Nápoles, as duas mais importantes cidades italianas a seguir à capital, Roma. A primeira estava nas mãos do partido de Berlusconi há 16 anos e era o seu grande bastião regional, mas não resistiu à onda de descontentamento gerada, por um lado, pelo aumento do desemprego e pelo estado da economia e, por outro, pelos sucessivos escândalos sexuais e financeiros do primeiro-ministro.

A presidente cessante da câmara, Letizia Moratti, do partido de Berlusconi, o Povo da Liberdade, já tinha perdido na primeira volta, e voltou a ser batida na segunda ronda pelo candidato do centro-esquerda, Giuliano Pisapia, desta vez por uns expressivos dez pontos de diferença (44,9%-55,1%).

Em Nápoles, a derrota foi ainda maior, embora menos simbólica. Mario Lattieri, candidato do Povo da Liberdade, não foi além dos 34,6% contra 65,4% do candidato da Itália dos Valores, Luigi De Magistris. O bloco de Berlusconi perdeu ainda as regiões de Trieste e Cagliari, mantendo apenas Varese.

O descalabro do centro-direita levanta dúvidas sobre a viabilidade da coligação liderada por Berlusconi. O aliado Umberto Bossi, da Liga do Norte, já avisara após a primeira volta que o partido "não se deixaria arrastar" pela queda em desgraça de Berlusconi. Se Bossi abandonar o barco, o governo cairá.

"ELE FEZ-ME FICAR MAIS PERTO DE DEUS"

Sabina Began, uma das organizadoras das festas sexuais do primeiro-ministro italiano, disse ontem a um programa de rádio que Berlusconi é "uma pessoas muito religiosa" que a "ajudou a encontrar a Fé". "Ele ama Deus e fala com Deus. É muito religioso e fez-me ficar mais próxima de Deus", afirmou Began, adiantando que a casa de Berlusconi em Milão "está cheia de crucifixos". Já sobre as famosas festas, a actriz de 36 anos alega que "é tudo um exagero" e admite que a culpa é dela. "Organizei as festas porque ele é um homem muito só", disse. 

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