Iniciativa esbarrou na oposição dos republicanos pressionada por 'lobbies' de empresas que recusam custos adicionais.
A proposta ambiciosa do novo presidente norte-americano Joe Biden de duplicar o salário mínimo para tirar milhões de norte-americanos da pobreza já está na mesa dos legisladores, segundo a agência France Presse (AFP).
Esta medida pode revelar-se uma revolução social para os mais pobres dos Estados Unidos, adianta a agência de notícias francesa.
"Mesmo antes da pandemia, o salário mínimo federal de 7,25 dólares [cerca de seis euros] por hora era economicamente e moralmente indefensável", afirmou o democrata do Estado da Virgínia Bobby Scott, na apresentação do projeto de lei.
Embora muito popular entre a população - mesmo nas fileiras dos apoiantes republicanos - e apoiada há mais de uma década pelos sindicatos, a iniciativa esbarrou na oposição dos republicanos pressionada por 'lobbies' de empresas que recusam custos adicionais.
"Este não é um ideal radical", defende Bernie Sanders, um antigo candidato presidencial progressista que qualificou os 7,25 dólares por hora de "salário de fome".
"No país mais rico do mundo, quando se trabalha 40 horas por semana, não se deve viver na pobreza", defende o senador do Vermont, que vai apresentar a proposta e espera convencer os céticos.
A crise económica causada pela pandemia afeta principalmente as pequenas empresas, especialmente o sector da restauração, que não vê com bons olhos esta proposta incluída no gigantesco plano de resgate de 1.900 mil milhões de euros (cerca de 1,6 mil milhões de euros).
O vice-presidente da Federação Nacional de Restaurantes, Sean Kennedy, saudou a proposta, até porque entende a obrigação de pagar esse salário mínimo integralmente, independentemente das gorjetas impostas aos clientes.
Isso permite que os patrões paguem aos empregados apenas dois ou três dólares quando essas famosas "gorjetas" preenchem a lacuna com os 7,25 dólares, refere a AFP.
Contudo, esta medida "terá custos insuperáveis" para muitos estabelecimentos que não terão outra escolha a não ser dispensar funcionários ou fechar definitivamente as portas, prevê Kennedy.
Para a nova secretária do Tesouro, Janet Yellen, "o aumento do salário mínimo vai tirar dezenas de milhões de americanos da pobreza, ao mesmo tempo que cria oportunidades para inúmeras pequenas empresas em todo o país".
Tudo depende de como será implementado, argumentou Janet Yellen, observando que um aumento gradual - 15 dólares até 2025 - daria "tempo suficiente para se adaptarem".
Mas o Governo Biden destaca o círculo virtuoso: pagar aos que têm salários mais baixos geraria milhões de dólares em gastos adicionais do consumidor em bens e serviços prestados por pequenas empresas
Em 2019, 1,6 milhões de trabalhadores foram pagos com um salário igual ou inferior ao mínimo federal, ou seja, 1,9% de todos os trabalhadores pagos à hora, de acordo com o Gabinete de Estatísticas.
Uma taxa horária de 15 dólares até 2025 aumentaria os salários de 27,3 milhões de pessoas e retiraria 1,3 milhões de famílias da pobreza, estimou o Gabinete de Orçamento do Congresso.
Mas estima também estima que possa resultar na perda de 1,3 milhões de postos de trabalho.
Para Gregory Daco, economista-chefe da Oxford Economics, além do impacto potencial, a proposta ilustra a mudança social que Joe Biden queria.
"Isto confirma o desejo de uma administração de se concentrar mais nas desigualdades sociais e raciais que levaram a altas tensões no ano passado", defende Gregory Daco.
A proposta será difícil de aprovar, mesmo que os democratas dominem ambas as câmaras. Bernie Sanders já mencionou o uso de um dispositivo para aprovar a lei por maioria simples.
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