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Biden vai assumir redução de emissões em 50% até 2030

Esta é uma meta muito mais ambiciosa do que a assumida em 2015 pelo então presidente Barack Obama.
Lusa 21 de Abril de 2021 às 01:00
Joe Biden
Joe Biden FOTO: CMTV
O presidente dos EUA, Joe Biden, vai comprometer-se esta semana em cortar as emissões de gases com efeito de estufa pelo menos para metade até 2030, quase o dobro do assumido no Acordo de Paris.

A informação foi avançada esta terça-feira pelo The Washington Post, que cita duas fontes familiarizadas com o plano.

A publicação avançou que Biden vai fazer o anúncio durante a Cimeira de Líderes sobre o Clima, uma conferência virtual organizada pela Casa Branca, na quinta e sexta-feira, que deve contar com cerca de 40 dirigentes de vários países.

O plano de Biden satisfaz várias solicitações que lhe foram feitas por grupos ambientalistas, científicos e empresariais do país, que defenderam aquele corte, com referência aos níveis de 2005.

Esta é uma meta muito mais ambiciosa do que a assumida em 2015 pelo então presidente Barack Obama, ao assinar o Acordo de Paris, que consistia em reduzir as emissões entre 26 e 28% até 2025, com referência a 2005.

É provável que Biden se comprometa com um intervalo, mais do que com uma percentagem concreta, e que até pode superar os 50%.

O anúncio de Biden procura estimular novos compromissos de outros Estados, quando se prepara a realização da 26.ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre as Alterações Climáticas, a designada COP26, que vai decorrer em novembro na capital da Escócia, Glasgow.

A União Europeia já assumiu o compromisso de reduzir as suas emissões daqueles gases em 55% até 2030 e alcançar a neutralidade carbónica em 2050 e o Reino Unido anunciou um corte das suas emissões em 78% até 2035.

Porém, os outros Estados mais poluidores, como China, Federação Russa e Índia, não se comprometeram com percentagens específicas, se bem que Pequim tenha afirmado que vai atingir o pico das suas emissões antes de 2030 e alcançar a neutralidade carbónica em 2060.

O planeta continua muito longe do objetivo definido em Paris, de manter a média de aquecimento abaixo de dois graus centígrados, dirigindo-se antes para uma subida média entre três a cinco graus até ao final do século, segundo a Organização Meteorológica Mundial.

Neste contexto, um grupo de organizações de defesa do ambiente, incluindo o Sunrise Movement, calculou em documento, divulgado este mês, que a meta de redução das emissões até 2030 que os EUA deveriam assumir deveria ser de 195%.

Dada a impossibilidade de alcançar este valor, sugeriram que os EUA - cuja responsabilidade é maior do que a de outros países, por ser o maior poluidor em termos históricos - reduza as suas emissões em 70% e alcance os outros 125% através do financiamento da redução de emissões em países em vias de desenvolvimento.

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