"Após uma ponderação cuidadosa, e para garantir que o foco se mantém nas principais prioridades da Cimeira da IA, o senhor Gates não fará o seu discurso de abertura", confirmou a Fundação Gates.
Bill Gates cancelou esta quinta-feira um discurso na Cimeira de Impacto da Inteligência Artificial (IA), apenas duas horas antes do início previsto da intervenção do fundador da Microsoft em Nova Deli.
"Após uma ponderação cuidadosa, e para garantir que o foco se mantém nas principais prioridades da Cimeira da IA, o senhor Gates não fará o seu discurso de abertura", confirmou a Fundação Gates.
A organização será representada por Ankur Vora, presidente dos escritórios de África e da Índia, que discursará ainda esta quinta-feira na Cimeira, declarou a fundação, em comunicado.
Há apenas dois dias, vários órgãos de comunicação social noticiaram a retirada de Gates da lista de oradores, para evitar que a controvérsia entre torno das ligações do bilionário ao criminoso sexual Jeffrey Epstein pudesse ofuscar o evento.
Em resposta, na terça-feira, a fundação afirmou que o convite "nunca tinha sido retirado" e que Gates participaria como planeado na AI Impact Summit 2026, onde deveria discursar perante cerca de 20 líderes globais e centenas de executivos de gigantes tecnológicas.
Na quarta-feira, o ministro da Tecnologia indiano, Ashwini Vaishnaw, evitou endossar a presença do filantropo, afirmando simplesmente que comparecer ou não era uma "escolha pessoal", sobre a qual se recusou a comentar.
Numa entrevista transmitida em 05 de fevereiro, Bill Gates afirmou que "lamenta cada minuto" passado com Jeffrey Epstein, mas garante não ter nada de que se censurar, enquanto a ex-mulher exigiu que ele explique a relação com um rascunho de e-mail de Jeffrey divulgado a 30 de janeiro pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, no lote de documentos provenientes do caso, menciona relações extraconjugais de Bill Gates.
O divórcio do cofundador da Microsoft em 2021 tinha sido motivado, nomeadamente, pela sua relação com o criminoso sexual, que morreu na prisão em 2019. Nesta mensagem, que não parece ter sido enviada, Jeffrey Epstein vangloriava-se de ter ajudado "Bill" a obter medicamentos para "remediar as consequências de relações sexuais com raparigas russas".
Questionada pela rádio e televisão pública americana NPR, a ex-mulher, Melinda French Gates, afirmou na terça-feira que compete a Bill Gates e a outros dar explicações. "Estas questões são para essas pessoas e até para o meu ex-marido, são eles que devem responder, não eu", afirmou.
"Estou tão feliz por me ter afastado de toda esta lama", acrescentou, confirmando o papel desempenhado na sua separação pela relação passada entre Bill Gates e Jeffrey Epstein. Epstein morreu a 10 de agosto de 2019 numa prisão federal de Nova Iorque, após ter sido acusado de múltiplos crimes de tráfico sexual de jovens mulheres e raparigas menores de idade que poderiam resultar numa pena de prisão de até 45 anos.
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