Guo poderá permanecer em território norte-americano, até que não tenha mais possibilidades de recorrer.
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O bilionário chinês Guo Wengui, que fugiu para os Estados Unidos e tem acusado de corrupção altos quadros de Pequim, pediu asilo político ao Governo norte-americano, afirmou esta sexta-feira o seu advogado.
O pedido de Guo constitui um dilema para a diplomacia norte-americana, que deve optar entre expulsar um dissidente com ligações à elite do regime chinês ou acrescentar mal estar às relações com Pequim.
Thomas Ragland, advogado de Guo, afirmou na quinta-feira que o bilionário vai permanecer "legalmente protegido" nos Estados Unidos, enquanto o pedido está a ser analisado, processo que normalmente demora mais de dois anos.
Caso o pedido seja rejeitado, Guo poderá permanecer em território norte-americano, até que não tenha mais possibilidades de recorrer.
Em agosto, funcionários chineses afirmaram, citados pela agência noticiosa Associated Press (AP), que Guo está a ser investigado por pelo menos 19 crimes, incluindo suborno, rapto, fraude, branqueamento de capitais e violação.
Guo negou todas as acusações.
O bilionário deixou de ser visto em público em 2014, mas voltou recentemente a surgir nas redes sociais, afirmando ter informações comprometedoras para a liderança chinesa.
Entre os seus alvos está Wang Qishan, diretor do órgão máximo anticorrupção do Partido Comunista Chinês (PCC), que nos últimos anos puniu mais de um milhão de membros da organização, numa campanha lançada pelo Presidente chinês, Xi Jinping.
Segundo Guo, Wang detém secretamente parte do grupo HNA, um dos maiores conglomerados privados chineses e acionista indireto da TAP, através de uma participação de 13% na Azul (companhia do brasileiro David Neelman que integra a Atlantic Gateway) e uma participação de 7% na Atlantic Gateway.
As afirmações do milionário surgiram poucos meses antes do XIX congresso do PCC, o mais importante acontecimento da agenda política chinesa, durante o qual se definirá a liderança da segunda economia mundial durante os próximos cinco anos.
O pedido de asilo visa demonstrar às autoridades norte-americanas que ele quer fugir à "perseguição" da China, afirmou o advogado.
"Ele receia ser deportado para a China com base nas suas afirmações políticas, que expõem a corrupção entre funcionários chineses", afirmou Ragland. "Ele tem sido um delator", acrescentou.
Guo tinha declarado anteriormente que expôs a corrupção entre altos quadros do PCC para o bem do seu país. Era uma forma de provar a sua lealdade a Xi e negociar um eventual retorno à China.
Depois de não ser visto em público durante várias semanas, Wang Qishan reapareceu recentemente na imprensa estatal chinesa, num sinal de que a sua influência política se mantém intacta.
Durante o congresso do PCC irá decidir-se se Wang permanece no Comité Permanente do Politburo, a cúpula do poder na China. Observadores chegaram a indicar Wang como possível futuro primeiro-ministro do país, por ser próximo de Xi.
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