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Correio da Manhã

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Blair desdramatiza quarta-feira negra

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, negou ontem que o seu governo esteja em crise, apesar de, num só dia, ter visto um dos seus ministros ser vaiado em público, outro acusado de adultério e um terceiro de ser incompetente.
28 de Abril de 2006 às 00:00
A Imprensa fala numa “quarta-feira negra” para o governo e tece comparações com o dia fatídico que ditou o fim do governo de John Major, em 1992, mas para o chefe do governo tudo não passa de especulações, apesar de ser visível o incómodo de vários responsáveis trabalhistas com esta sucessão de escândalos a uma semana das eleições locais, que poderão ditar o futuro do próprio Blair.
“Para a Imprensa, hoje em dia não há nenhum problema que não seja uma crise, nenhuma dificuldade que não seja uma catástrofe, nenhuma semana que não seja a semana mais terrível de sempre para o governo”, afirmou Blair à saída de uma reunião do governo em Londres. “Temos de continuar a fazer o nosso trabalho e seguir em frente sem nos queixarmos sobre o que vem na Imprensa, vocês conhecem-me suficientemente bem para saber que vamos seguir em frente apesar das manchetes dos próximos dias”, acrescentou Blair, assegurando que nenhum dos ministros sob fogo sairá do governo.
É célebre a capacidade de sobrevivência do primeiro-ministro britânico aos escândalos que têm abalado o seu governo, mas ontem vários analistas afirmavam que os últimos casos são a prova de que o executivo “se está a desfazer”.
Os jornais não hesitaram mesmo em falar sobre a “quarta-feira negra” de Blair, numa alusão ao dia em que o então primeiro-ministro John Major retirou a libra do Sistema Monetário Europeu, precipitando a queda do governo.
Apesar da tranquilidade de Blair, vários deputados trabalhistas manifestaram já o receio de que os escândalos possam prejudicar o partido nas eleições locais do próximo dia 4, nas quais já se esperavam perdas avultadas para os trabalhistas. Alguns analistas acreditam mesmo que uma pesada derrota trabalhista poderá forçar a saída antecipada de Blair e a passagem do testemunho a Gordon Brown.
NA MIRA DA IMPRENSA
"LIBERTOU CRIMINOSOS" (CHARLES CLARKE, SEC. INTERIOR)
A Imprensa e a oposição exigem a demissão do secretário do Interior por ter ‘permitido’ que 1023 estrangeiros detidos nas cadeias britânicas, incluindo assassinos, pedófilos e violadores, tenham sido libertados após cumprirem pena sem serem deportados. Clarke afirma que se tratou de uma “falha no sistema”.
VAIADA POR NEFERMEIROS (PATRICIA HEWITT, SEC. SAÚDE)
A secretária da Saúde viveu quarta-feira momentos embaraçosos ao ser vaiada e insultada quando tentava discursar perante dezenas de enfermeiros durante um congresso. Hewitt tem sido duramente criticada pelos planos para a reestruturação do sector, que incluem despedimentos.
'AFFAIRE ' COM A SECRETÁRIA (JOHN PRESCOTT, 'VICE' DE BLAIR)
O vice-primeiro-ministro britânico, um dos membros do governo que mais criticou a “falta de moral” dos dirigentes da oposição, confessou ter mantido durante dois anos uma relação extramatrimonial com a sua secretária. Blair afirma que se trata de um “assunto privado” e recusou comentar.
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