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BLAIR DIRIGIRÁ O PAÍS A PARTIR DE 'BUNKERS'

O Reino Unido acredita que, mais cedo ou mais tarde, será o alvo de um ataque químico ou biológico. Precavendo essa possibilidade, as autoridades estão a preparar vários “bunkers” a partir dos quais o primeiro-ministro Tony Blair e os seus ministros possam continuar a governar o país em caso de ataque, noticiou o jornal “Daily Express”.
7 de Março de 2003 às 00:32
BLAIR DIRIGIRÁ O PAÍS A PARTIR DE 'BUNKERS'
BLAIR DIRIGIRÁ O PAÍS A PARTIR DE 'BUNKERS'
A residência oficial do primeiro-ministro, no número 10 de Downing Street, no centro de Londres, possui um abrigo nuclear construído no auge da Guerra Fria, mas o mais provável é que Blair, a sua família, e os membros do governo sejam levados para um dos vários “bunkers” subterrâneos existentes fora da cidade. Estes esconderijos foram recentemente remodelados e estão preparados para receber dezenas de pessoas em caso de ataque nuclear, químico ou biológico, estando abastecidos com provisões e água para uma estadia mínima de três meses.

A maior parte destes “bunkers” ficam situados em bases militares nos arredores de Londres, e alguns deles já existiam durante a Guerra Fria. Será a partir destes esconderijos que Blair e o seu governo continuarão a dirigir os destinos do país após um eventual ataque, estando os “bunkers” equipados com sofisticados sistemas informáticos e de comunições, para além de mini-estúdios de televisão e rádio, uma vez que os peritos consideram essencial manter a população informada de que os governantes estão vivos e em funções.

As autoridades estão, entretanto, a planear em segredo um gigantesco exercício de simulação de resposta a um ataque com armas químicas, que poderá ser posto em prática já no próximo dia 23. No simulacro, que visa testar a reacção das autoridades a uma crise provocada por um ataque com armas de destruição em massa contra o centro de Londres, deverão estar envolvidas centenas de bombeiros, médicos e polícias, para além de cerca de uma centena de voluntários que desempenharão o “papel” de mortos e feridos. Não se sabe ainda se, durante este exercício, o primeiro-ministro e o seu governo ficarão em Downing Street ou serão levados para um dos “bunkers” preparados para o efeito.

SEGREDO DENUNCIADO

O jornal "The Guardian" denunciou ontem que o governo britânico financiou a construção de uma fábrica de produtos químicos no Iraque, em 1985, a qual pretende agora ver destruída sob a alegação de que foi usada para produzir armas químicas.

Num artigo intitulado “O segredo sujo do Reino Unido”, o diário revela que o governo britânico, então liderado por Margaret Thatcher, financiou, mediante garantias de crédito, a empresa alemã Uhde Ltd. na construção de uma fábrica de cloro a 80 quilómetros de Bagdad, mesmo sabendo que estas instalações poderiam ser usadas para produzir gás mostarda e gás de nervos. Esta fábrica, baptizada como Falluja-2, consta da lista norte-americana de locais onde o Iraque terá fabricado armas químicas.
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