O primeiro-ministro britânico apelou ontem à colaboração do público nas investigações aos atentados falhados da passada quinta-feira, no mesmo dia em que se soube que pelo menos dois dos bombistas viviam em Londres há mais de uma década e recebiam apoio monetário do governo devido ao seu estatuto de refugiados.
“Deve haver por aí alguém que saiba alguma coisa (sobre os bombistas). Faz parte do nosso dever fornecer todas as informações possíveis à polícia para proteger a comunidade”, apelou Blair.
O primeiro-ministro britânico contestou ainda a justificação de que os ataques são levados a cabo para protestar contra a situação no Iraque e o envolvimento das tropas britânicas. “É obsceno os terroristas dizerem que agem por causa da situação no Iraque. Se têm essa preocupação porque razão fazem explodir carros armadilhados no meio de crianças iraquianas?”, questionou Blair, defendendo que o mundo não deve dar “um centímetro” aos terroristas.
“Para mim, o 11 de Setembro foi uma espécie de despertar. Mas o problema é que grande parte do mundo voltou a adormecer logo de seguida”, afirmou o primeiro-ministro.
A Imprensa britânica revelou ontem que os dois terroristas já identificados, Yassin Hassan Omar, oriundo da Somália, e Muktar Said Ibrahim, proveniente da Eritreia, entraram no Reino Unido há mais de uma década como requerentes de asilo e recebiam subsídios de residência do governo britânico, facto que está a chocar a opinião pública.
Entretanto, a polícia confirmou que foram encontrados explosivos semelhantes aos usados nos ataques de quinta-feira num apartamento ligado a Ibrahim, no norte de Londres, e estava ontem a procurar pistas num carro que terá sido usado pelos bombistas.
BRASILEIRO IA INICIAR NOVA VIDA
Jean Charles de Menezes, o electricista brasileiro de 27 anos executado pela polícia inglesa na semana passada ao ser confundido com um terrorista, ia começar nova vida nesse dia.
Ele apanhou o metro exactamente para ir ter com o amigo também brasileiro Gésio César D’Avila, por intermédio de quem conseguira uma empreitada que lhe renderia 10 mil libras em três meses.
Depois de trabalhar como electricista em obras durante o dia e cozinheiro num restaurante à noite, essa empreitada era o começo da concretização do seu sonho de conseguir dinheiro para comprar alfaias agrícolas na sua pequena cidade, Gonzaga, no Brasil, melhorando a vida dos pais, Matuzinho Otoni de Oliveira e Rosário Otoni de Menezes, que vivem da agricultura.
Oriundo de um país onde os assaltos à mão armada são comuns, Jean pode ter confundido os polícias à paisana com bandidos e tentado escapar-lhes. Os brasileiros protestaram contra a acção da Polícia britânica.
FAMÍLIA CHOCADA
A família de Muktar Said Ibrahim, suspeito de ter tentado fazer explodir uma bomba num autocarro em Hackney Road, manifestou-se “chocada” por saber que ele era terrorista. Num comunicado, os familiares de Ibrahim condenam o terrorismo e afirmam ter contactado a polícia mal viram a fotografia de Said nos jornais.
POPULARIDADE
A popularidade do primeiro-ministro, Tony Blair, subiu após os atentados de 7 e 21 de Julho, mostrando que os britânicos apreciaram a forma como lidou com a crise, embora a maioria tenha agora medo de andar de transportes públicos
LEIS ANTITERROR
Tony Blair reuniu-se com os principais dirigentes da oposição para discutir o endurecimento das leis antiterrorismo,incluindo o uso de escutas em tribunal e o prolongamento da detenção de suspeitos sem acusação.
CRITÉRIOS ÉTNICOS
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, alertou as autoridades britânicas para o perigo de basearem a investigação em ‘critérios étnicos’.
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